segunda-feira, 22 de junho de 2026

Lula deve definir nesta semana saída de Jaques Wagner da liderança do governo no Senado

Reunião deve definir saída de Jaques Wagner na liderança do governo no Senado após investigação envolvendo o Banco Master

Lula deve definir nesta semana saída de Jaques Wagner da liderança do governo no Senado (Foto: Agência Brasil | Agência Senado )

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve se reunir nesta semana com o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, para confirmar sua saída do cargo após a operação da PF (Polícia Federal) que atingiu o parlamentar e colocou sua posição no centro das articulações políticas em Brasília.

A investigação envolvendo o senador ampliou a pressão interna no governo por uma resposta política ao caso, enquanto aliados avaliam os impactos da situação sobre a base no Congresso e sobre a disputa eleitoral deste ano.

A conversa entre Lula e Jaques Wagner ainda depende da agenda do presidente. Nesta segunda-feira (22), Lula cumpre compromissos no Rio de Janeiro e deve seguir para São Paulo no início da semana. A expectativa é que o senador se reúna antes com lideranças do PT para avaliar o cenário político e jurídico.

Jaques Wagner estava na Bahia no momento das operações da PF. Segundo a reportagem, Lula pediu que o senador retornasse a Brasília para tratar dos próximos passos. A primeira previsão era que o parlamentar estivesse no Distrito Federal já na sexta-feira (19), mas o encontro acabou adiado diante dos desdobramentos da operação.

⊛ Pressão interna cresce após investigação da PF

Nos bastidores, há uma cobrança para que o governo apresente uma reação diante da investigação que envolve Jaques Wagner. A avaliação de setores do PT é que o caso pode alterar o equilíbrio do tabuleiro eleitoral e gerar desgaste para a campanha de Lula.

Apesar da pressão, a permanência de Wagner na liderança do governo no Senado é defendida por aliados com base em dois fatores principais. O primeiro é o peso eleitoral do senador na Bahia. Jaques busca a reeleição e aparece em posição competitiva nas pesquisas de intenção de voto, dividindo protagonismo com o ex-ministro Rui Costa, também do PT, na disputa por uma vaga no Senado.

Neste ano, cada estado elegerá dois senadores. Para aliados do parlamentar, uma saída da liderança poderia fragilizar não apenas a campanha de Jaques Wagner, mas também outras candidaturas petistas na Bahia.

O segundo fator é a relação de confiança entre Lula e Wagner. O senador foi ministro do Trabalho e ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais no primeiro governo Lula. Também comandou o Ministério da Defesa e a Casa Civil durante as gestões de Dilma Rousseff. A proximidade política e pessoal entre os dois é vista como um elemento que pode pesar a favor de sua manutenção no cargo.

⊛ Jaques Wagner diz que não pedirá para deixar liderança

Jaques Wagner afirmou que não pretende pedir para deixar a liderança do governo no Senado. O senador também disse que Lula não mencionou essa possibilidade em telefonema feito horas depois da operação.

“Não acho que o Lula vai fazer isso, mas se ele fizer, é um direito dele. O cargo de líder do governo é do presidente da República, mas eu falei com ele hoje e ele sequer tocou nesse tema”, afirmou Wagner.

Na sexta-feira (19), Lula foi questionado sobre a permanência de Jaques Wagner na liderança após a operação da PF. O presidente acenou com um gesto de “joia”, mas não respondeu à pergunta. O episódio ocorreu durante agenda em Belo Horizonte, onde Lula anunciou investimentos no Hospital Luxemburgo.

Segundo interlocutores do presidente, o Palácio do Planalto estava preparado para responder a questionamentos sobre supostas conexões do PT baiano com o caso do Banco Master, mas foi surpreendido pela operação contra o líder do governo no Senado.

⊛ Desgaste na liderança já vinha de derrota no STF

A situação de Jaques Wagner na liderança do governo já era alvo de questionamentos antes da operação da PF. As críticas se intensificaram após a derrota de Jorge Messias na votação para uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal).

O Palácio do Planalto calculava que Messias poderia ser aprovado com 45 votos. No entanto, o resultado foi uma derrota histórica: 42 senadores votaram contra a indicação, e apenas 34 foram favoráveis.

Aliados passaram a atribuir a Wagner parte da responsabilidade pelo cálculo equivocado, por falhas na articulação política e por não ter alertado o Planalto sobre o risco de derrota. Na ocasião, o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), também colocou em debate a permanência de lideranças no Congresso. Embora tenha afirmado que uma “caça às bruxas” não resolveria os problemas, o deputado disse que algumas lideranças enfrentavam um processo de “desgaste”.

⊛ PF aponta suspeitas ligadas ao Banco Master

A PF deflagrou na quinta-feira (18) a 9ª fase da Operação Compliance Zero. Entre os alvos estava Jaques Wagner, líder do governo no Senado. A corporação apura possível vínculo entre o entorno familiar do senador, suas empresas e nomes conectados ao liquidado Banco Master.

Segundo a PF, foram identificados elementos que indicam o “recebimento de vantagens econômicas indevidas pelo parlamentar, direta ou indiretamente”, por meio de familiares, pessoas de confiança e estruturas societárias vinculadas ao banco.

Na nova fase da investigação, foram encontrados cerca de US$ 55 mil, equivalente a R$ 284,1 mil, além de 33 mil euros, equivalentes a R$ 196,3 mil, e relógios em endereços ligados ao senador em Brasília e Salvador.

A PF sustenta que Wagner mantinha contato direto com Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master. Segundo a investigação, Augusto seria responsável por operações financeiras e pelo envio de benefícios ao parlamentar.

Entre os benefícios apontados pela corporação está o suposto pagamento de um apartamento avaliado em R$ 2,4 milhões em Salvador. Em conversa interceptada pela PF, o senador teria enviado a Augusto o contato do gerente da construtora, com mensagem informando a unidade e o valor do imóvel.

“A unidade é a 1702 e o preço é 2,45 milhões”, escreveu Wagner, segundo a PF.

O imóvel teria sido comprado pela Epítome S.A., empresa dirigida por Luiz Antônio Lombardi e apontada pela investigação como laranja na negociação.

Além do apartamento, a PF listou outras supostas vantagens em representação encaminhada ao STF. Entre elas estão o uso gratuito de jatinhos particulares vinculados a Augusto Lima ou ao Banco Master, o recebimento de ingressos para shows internacionais em Los Angeles, nos Estados Unidos, e pagamentos destinados a uma empresa ligada ao núcleo familiar do parlamentar.

O futuro de Jaques Wagner na liderança do governo no Senado dependerá agora da conversa com Lula e da avaliação política do Planalto sobre os efeitos da investigação na base governista e nas articulações eleitorais do PT.

Fonte: Brasil 247

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