segunda-feira, 22 de junho de 2026

3,7 milhões de jovens deixam a condição de “nem-nem” no Brasil entre 2019 e 2025

Levantamento do IBGE mostra queda expressiva no número de brasileiros de 15 a 29 anos que não estudam nem trabalham

          Lula e estudantes (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

O Brasil registrou uma redução de 3,7 milhões no número de jovens de 15 a 29 anos que não estudam nem trabalham entre 2019 e 2025. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC) Educação 2025, divulgada pelo IBGE na última sexta-feira (19), o contingente caiu de 11,9 milhões para 8,2 milhões no período.

As informações foram publicadas pela Agência Gov, que destacou que a queda representa uma redução de 4,9 pontos percentuais no grupo conhecido, de forma jocosa, como “jovens nem-nem”. O levantamento considera um universo de 46,6 milhões de brasileiros nessa faixa etária.

O dado indica uma melhora relevante na inserção educacional e produtiva da juventude brasileira. A diminuição do número de jovens fora da escola e do mercado de trabalho ocorre em um contexto de maior procura por cursos técnicos e de qualificação profissional, com destaque para os Institutos Federais e entidades privadas ligadas a setores produtivos.

◍ Qualificação profissional ganha força

Um dos fatores apontados para a melhora dos indicadores é a expansão da busca por cursos de qualificação profissional. Segundo o IBGE, a população brasileira de 14 anos ou mais chegou a 174,1 milhões em 2025. Desse total, 24,8 milhões de pessoas, o equivalente a 14,2%, já haviam frequentado algum curso de qualificação profissional.

O instituto também identificou uma relação direta entre escolaridade e acesso à qualificação. Quanto maior o nível de instrução, maior a presença de pessoas que já passaram por algum tipo de formação profissional.

De acordo com o IBGE, “em 2025, a população de 14 anos ou mais de idade chegou a 174,1 milhões, e 14,2% dela (ou 24,8 milhões) haviam frequentado algum curso de qualificação profissional”.

O levantamento mostra ainda que, entre as pessoas sem instrução ou com até o ensino fundamental completo, apenas 5,9% haviam frequentado cursos de qualificação. Entre aqueles com ensino médio incompleto até superior incompleto, o índice foi de 17,3%. Já entre os brasileiros com ensino superior completo, 23,1% haviam passado por algum curso desse tipo.

◍ Cursos técnicos ajudam a reduzir exclusão

A ampliação da formação técnica aparece como um caminho importante para enfrentar a exclusão de jovens do sistema educacional e do mercado de trabalho. A maior procura por cursos profissionalizantes sugere que parte da juventude tem buscado alternativas de inserção produtiva por meio de formações mais diretamente conectadas às demandas do mundo do trabalho.

Os Institutos Federais, ao lado de entidades privadas de classe, ganharam destaque nesse processo. Essas instituições oferecem cursos voltados à preparação profissional, muitas vezes com maior proximidade em relação às necessidades regionais e setoriais da economia.

A queda no número de jovens que não estudam nem trabalham não elimina os desafios ainda existentes. Mesmo com a redução observada entre 2019 e 2025, o Brasil ainda tinha 8,2 milhões de jovens nessa condição no ano passado, segundo o IBGE.

◍ Desafio segue elevado para a juventude brasileira

O grupo de jovens fora da escola e do trabalho continua sendo um dos principais desafios sociais e econômicos do país. A permanência de milhões de brasileiros nessa condição indica a necessidade de políticas públicas voltadas à permanência escolar, à formação técnica, ao primeiro emprego e à ampliação de oportunidades de renda.

A PNADC Educação 2025 ajuda a dimensionar esse cenário ao mostrar não apenas a redução do contingente de jovens “nem-nem”, mas também a importância da qualificação profissional como instrumento de inclusão.

Os dados indicam que a melhora dos indicadores entre 2019 e 2025 está associada a uma combinação de fatores, entre eles a maior presença de jovens em atividades de formação e a busca por cursos que ampliem as possibilidades de entrada no mercado de trabalho.

A redução de 3,7 milhões no número de jovens que não estudam nem trabalham representa, portanto, um avanço expressivo. Ao mesmo tempo, reforça a necessidade de ampliar políticas educacionais e profissionais capazes de transformar essa tendência em inclusão duradoura.

Fonte: Brasil 247

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