quarta-feira, 17 de junho de 2026

EUA devem alegar suposta parcialidade de Moraes para negar extradição de Eduardo Bolsonaro

Defesa de Eduardo Bolsonaro deve explorar atuação de Moraes no STF para tentar barrar eventual pedido de extradição nos EUA

Alexandre de Moraes e Eduardo Bolsonaro (Foto: Rosinei Coutinho/STF | Mario Agra/Câmara dos Deputados)

A possível alegação de parcialidade do ministro Alexandre de Moraes tende a ser um dos principais argumentos para tentar impedir, nos Estados Unidos, uma eventual extradição do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 4 anos e 2 meses de prisão em regime semiaberto.

As informações são da coluna de Raquel Landim, no Estadão. Segundo a publicação, Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos, foi condenado nesta quarta-feira (16), por unanimidade, pela Primeira Turma do STF, sob a acusação de tentar coagir ministros da Corte no julgamento do golpe.

O ex-deputado atuou para influenciar o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a aplicar sanções contra o Brasil e contra magistrados do Supremo. A decisão da Primeira Turma considerou que a articulação política no exterior teve como objetivo pressionar integrantes do tribunal.

Um dos pontos centrais do julgamento foi a discussão sobre a atuação de Alexandre de Moraes no caso. O ministro votou pela condenação de Eduardo Bolsonaro mesmo sendo um dos alvos da Lei Magnitsky, aplicada pelo governo Trump. A defesa sustentou que essa circunstância poderia comprometer sua imparcialidade.

Moraes, no entanto, rejeitou a tese de impedimento. O ministro avaliou que as sanções financeiras impostas pela legislação norte-americana não seriam suficientes para afetar seu julgamento. Os demais ministros da Primeira Turma acompanharam esse entendimento e também afastaram o argumento apresentado pela defesa.

O tema, porém, pode ganhar novo peso caso o Brasil venha a solicitar a extradição de Eduardo Bolsonaro aos Estados Unidos. Segundo a coluna, a tese da parcialidade de Moraes deverá ser utilizada para tentar convencer autoridades norte-americanas de que o ex-deputado não teve garantias suficientes no processo.

A publicação menciona ainda um precedente recente na Itália. A Corte Suprema de Cassação italiana negou a extradição da ex-deputada Carla Zambelli ao considerar que Moraes ocupava simultaneamente a posição de “vítima” e “julgador”. Esse entendimento poderá ser citado como referência em eventual debate jurídico envolvendo Eduardo Bolsonaro.

Criminalistas ouvidos pela coluna também apontaram questionamentos sobre o mérito da condenação. Para esses especialistas, embora Eduardo Bolsonaro tenha contatos e influência em setores da política norte-americana, o crime de coação exigiria ameaça com uso de violência, o que, na avaliação deles, não teria ocorrido no caso.

A condenação de Eduardo Bolsonaro ocorre em meio a uma disputa política e jurídica de forte repercussão nacional. A atuação do ex-deputado nos Estados Unidos foi criticada por sua movimentação como uma tentativa de pressionar instituições brasileiras a partir de articulações externas.

Fonte: Brasil 247 com informações da coluna de Raquel Landim, no Estadão.

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