quarta-feira, 17 de junho de 2026

Condenação no STF torna Eduardo Bolsonaro inelegível por 12 anos

Decisão do STF impõe inelegibilidade a Eduardo Bolsonaro após condenação por coação em processo sobre tentativa de golpe

      Eduardo Bolsonaro - 14/08/2025 (Foto: REUTERS/Jessica Koscielniak)

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que condenou Eduardo Bolsonaro (PL-SP) tornou o ex-deputado federal inelegível e pode impedir sua participação em eleições por até 12 anos e 2 meses, após condenação por coação no curso do processo que apurou uma tentativa de golpe de Estado no Brasil.

A Primeira Turma do STF condenou Eduardo, por unanimidade, a 4 anos e 2 meses de prisão, em regime inicial semiaberto. O colegiado também reconheceu a aplicação da Lei da Ficha Limpa, por se tratar de condenação proferida por órgão colegiado por crime contra a administração da Justiça.

Com a decisão, Eduardo Bolsonaro fica impedido de disputar eleições desde a data da condenação até 8 anos após o cumprimento integral da pena. Na prática, segundo a interpretação adotada pelo STF, a restrição eleitoral pode chegar a 12 anos e 2 meses, dependendo do momento em que a pena for considerada integralmente cumprida.

O julgamento foi concluído na terça-feira (16). Ao proclamar o resultado, a Primeira Turma determinou a expedição imediata de ofício ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que a restrição eleitoral seja registrada.

Relator do caso, o ministro Alexandre de Moraes afirmou que a inelegibilidade não depende do trânsito em julgado da ação. Com isso, a restrição pode produzir efeitos a partir da condenação pelo órgão colegiado.

Além da inelegibilidade, o STF decretou a perda do cargo efetivo que Eduardo Bolsonaro mantém na Polícia Federal. A decisão também estabeleceu o pagamento de 50 dias-multa, com valor fixado em dois salários mínimos cada.

De acordo com o entendimento unânime dos ministros, Eduardo atuou junto a autoridades dos Estados Unidos para pressionar integrantes do STF e tentar interferir em processos relacionados à apuração da tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. A atuação teria como objetivo beneficiar Jair Bolsonaro (PL).

Moraes apontou que as articulações de Eduardo com autoridades norte-americanas, entre elas o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a defesa de sanções contra ministros da Corte e contra o Brasil ultrapassaram os limites da atuação política. Para o relator, a conduta configurou grave ameaça às instituições brasileiras.

A defesa de Eduardo Bolsonaro ainda pode apresentar recursos no próprio Supremo. Em comunicado, o ex-deputado criticou o julgamento e afirmou que a decisão do STF não tem “pé nem cabeça”. Ele também disse que qualquer sentença contra ele deve ser considerada “nula”, sob o argumento de que não foi notificado oficialmente sobre o processo.

A condenação aprofunda os efeitos jurídicos contra Eduardo Bolsonaro e desloca o caso para uma nova etapa, marcada pela possibilidade de recursos no STF e pela comunicação formal ao TSE sobre a inelegibilidade reconhecida pela Primeira Turma.

Fonte: Brasil 247

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