quarta-feira, 24 de junho de 2026

Correia denuncia 'mais censura do Partido Liberal das Fake News para impedir críticas a Flávio Bolsonaro’


Deputado do PT critica decisão do TSE que mira parlamentares de esquerda e promete recorrer contra retirada de publicações

Rogério Correia, Flávio Bolsonaro, TSE e a expressão fake news (notícias falsas, em português) (Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados I Divulgação/Governo Federal I Roberto Jayme/TSE Andressa Anholete/Agência Senado )

 Vice-líder do governo Lula na Câmara, o deputado Rogério Correia (PT-MG) fez duras críticas nesta quarta-feira (24) à decisão do Tribunal Superior Eleitoral após o órgão determinar que o petista, os deputados federais Lindbergh Farias (PT-RJ), Gleisi Hoffmann (PT-PR) e o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência do Brasil, Guilherme Boulos, excluam postagens que relacionam o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) ao crime organizado. O grupo pretende recorrer.

"Mais censura do Partido Liberal das Fake News para impedir críticas a Flávio Bolsonaro e suas posições antipopulares! Os alvos são deputados de esquerda com alcance nas redes: Boulos, Rogério Correia, Lindberg, Erika Hilton, Alencar Santana… Vamos recorrer e não nos calar", escreveu Correia em postagem na rede social X, antigo Twitter.

De acordo com o jornal O Estado de Minas, a assessoria de Lindbergh Farias informou que também pretende recorrer. "Todos os fatos que nós tratamos são públicos e de ampla repercussão. Não são fake news." "A relação de Flávio Bolsonaro com o crime organizado e milícias é histórica e conhecida. Não vão nos impor uma censura, nem irão nos intimidar."

A medida do TSE fixou prazo de 24 horas para a remoção dos conteúdos. A decisão saiu dias depois de outra ordem, assinada pelo ministro André Mendonça, que mandou cinco deputados federais, um vereador do Rio de Janeiro e um usuário do Threads apagarem publicações sobre Flávio Bolsonaro.

⊛ Posição do PL

A representação partiu do Diretório Nacional do Partido Liberal. O PL classificou as postagens como "propaganda eleitoral antecipada negativa" e afirmou que os conteúdos vinculavam Flávio Bolsonaro à Operação Unha e Carne, da Polícia Federal (PF), ao Comando Vermelho, a milícias, lavagem de dinheiro e esquemas de "rachadinha".

De acordo com a ação, as peças usavam linguagem visual e narrativa para colocar o senador no centro de uma suposta rede criminosa. A decisão cita o argumento de que o material teria "potencial de induzir o eleitorado a erro".

O PL também sustenta que Flávio Bolsonaro não aparece como investigado, citado ou mencionado na operação. Para o partido, as publicações não teriam base factual ou jurídica para estabelecer as associações divulgadas nas redes sociais. O partido alegou ofensa à honra, difusão de informações falsas e uso de imagens manipuladas contra o senador.

⊛ Determinações anunciadas pelo TSE

A ministra Estela Aranha determinou a retirada imediata das postagens e vetou a republicação do conteúdo, sob pena de multa. A relatora também mandou oficiar a Meta, responsável pelo Instagram, para excluir as publicações em caso de descumprimento e fornecer, sob sigilo, dados de usuários que não ocupam função pública, além de registros de acesso dos perfis.

Na decisão, Estela Aranha reconheceu a proteção à manifestação de pensamento nas redes sociais, mas afirmou que a Justiça Eleitoral deve agir quando publicações atingem a honra ou a imagem de candidatos e pré-candidatos. A ministra também defendeu que o ambiente digital não pode servir para espalhar fatos que ela classificou como inverídicos ou descontextualizados quando houver risco ao equilíbrio da disputa eleitoral.

A relatora afirmou que os conteúdos ultrapassaram os limites da crítica política admissível ao atribuir a Flávio Bolsonaro vínculo com organizações criminosas sem dados concretos. Em trecho da decisão, ela escreveu: "A jurisprudência do TSE é firme no sentido de que a liberdade de expressão no debate político não autoriza a divulgação de imputações graves desacompanhadas de lastro fático mínimo."

"Em especial, este Tribunal não admite a associação de pré-candidato ou candidato a práticas criminosas ou a organizações criminosas sem a existência de elementos robustos, objetivos e verificáveis que sustentem tal acusação, sob pena de violação à honra e de comprometimento da normalidade e legitimidade do processo eleitoral", ressaltou a ministra na decisão.

⊛ Decisão de André Mendonça e alegações de parlamentares do PT

A decisão atual também se conecta a um caso semelhante analisado por André Mendonça. Na sexta-feira, 19 de junho, o ministro mandou retirar publicações de Rogério Correia, Lindbergh Farias, André Janones (Avante-MG), Alencar Santana (PT-SP), Erika Hilton (Psol-SP), do vereador carioca Rick Azevedo (Psol) e de um usuário do Threads. O magistrado entendeu que as publicações usavam recursos visuais para levar o eleitor a acreditar que o senador comandava ou coordenava grupos criminosos. O conteúdo já não aparece mais nas plataformas.

Parte das publicações questionava Flávio Bolsonaro por meio de associações com o crime organizado e com o debate sobre jornada de trabalho. Um dos posts atribuídos a Rogério Correia dizia que "o fim da 6x1 corre perigo" e relacionava o tema ao senador Rogério Marinho, apontado pelo deputado como responsável pelo programa de governo de Flávio Bolsonaro.

Correia afirmava que uma emenda tentava barrar o fim da escala 6x1 e abrir caminho para uma "escala 7x0", por meio do pagamento por horas trabalhadas. A postagem citava ainda os senadores mineiros Carlos Viana (PSD) e Cleitinho Azevedo (Republicanos).

Em outra frente, Lindbergh Farias e Rogério Correia responderam por publicações no Instagram. Uma delas, feita em colaboração pelos dois perfis, reunia 12 imagens e trazia o título "Flávio Bolsonaro e relações com o crime organizado". Outra postagem, publicada por Lindbergh, mostrava uma montagem com a frase: "A seleção do crime organizado está escalada. E Flávio Bolsonaro é o técnico."

O deputado Alencar Santana (PT-SP) também criticou a decisão anterior. Em nota citada pelo Estado de Minas, o deputado afirmou que a medida "é um ato que censura o debate político" e disse acreditar que "o ministro André Mendonça pode ter sido induzido ao erro".

⊛ Intenções de voto

Pesquisa Datafolha divulgada no último sábado (20) apontou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva(PT) aparece à frente de todos os nomes avaliados em simulações de segundo turno.

Outros levantamentos recentes também indicaram vantagem do presidente em cenários eleitorais. Na Pesquisa CNT de Opinião, conduzida pelo Instituto MDA, Lula abriu 12,5 pontos percentuais sobre o senador Flávio Bolsonaro. Já a pesquisa Quaest, encomendada pela Genial Investimentos, mostrou o presidente seis pontos à frente do parlamentar da extrema direita.

No cenário de primeiro turno testado pela Quaest, Lula somou 39% das intenções de voto. Flávio Bolsonaro apareceu em seguida, com 29%. Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) marcaram 3% cada, enquanto Aécio Neves (PSDB) e Romeu Zema (Novo) registraram 2% cada um.

Augusto Cury (Avante), Joaquim Barbosa (DC) e Samara Martins (UP) tiveram 1% cada no levantamento. A pesquisa ainda apontou 10% de eleitores indecisos. Brancos, nulos e pessoas que afirmaram não votar em nenhum dos nomes apresentados somaram 9%.

Mais censura do Partido Liberal das Fake News para impedir críticas a Flávio Bolsonaro e suas posições antipopulares! Os alvos são deputados de esquerda com alcance nas redes: Boulos, Rogério Correia, Lindberg, Erika Hilton, Alencar Santana… Vamos recorrer e não nos calar. https://t.co/Hb64DnL1YD— Rogério Correia (@RogerioCorreia_) June 24, 2026

Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Estado de Minas

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