terça-feira, 23 de junho de 2026

Câmara de Comércio dos EUA critica tarifaço, sinaliza apoio e pede diálogo com o Brasil

Maior entidade empresarial estadunidense defende negociação bilateral e rejeita tarifas amplas contra produtos brasileiros

     Porto de Santos (Foto: REUTERS/Jorge Silva)

A Câmara de Comércio dos Estados Unidos, principal entidade empresarial do país, protocolou pedido para participar da audiência pública do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês) sobre a investigação aberta contra o Brasil. A organização afirmou que negociações entre os dois países são o melhor caminho para enfrentar divergências comerciais e se posicionou contra a imposição de tarifas amplas sobre produtos brasileiros.

O pedido, segundo a CNN Brasil, foi encaminhado na segunda-feira (22) ao USTR, órgão responsável pela investigação conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial estadunidense. Em carta enviada ao embaixador Jamieson Greer, a vice-presidente do Programa para as Américas da entidade, Anne McKinney, destacou a importância da relação econômica entre os dois países.

No documento, a Câmara afirma que o Brasil permanece como um parceiro comercial relevante para empresas dos Estados Unidos e sustenta que o fortalecimento dessa relação depende de maior acesso ao mercado, transparência regulatória e redução de barreiras comerciais.

"O Brasil é um importante parceiro comercial para uma ampla gama de empresas americanas de todos os portes, setores e estados", afirma a carta. A entidade ressalta ainda que quase 6.500 pequenas empresas dos EUA dependem de importações brasileiras e que cerca de 4.000 mantêm operações em território brasileiro.

Apesar de reconhecer que existem práticas brasileiras consideradas problemáticas para o comércio dos Estados Unidos, a Câmara de Comércio rejeita a adoção de medidas tarifárias generalizadas como resposta às divergências apontadas pelo governo estadunidense.

A entidade afirma que "certos atos, políticas e práticas brasileiras são irracionais ou discriminatórios e oneram o comércio dos EUA", mas avalia que "negociações de boa fé — e não as tarifas — oferecem o melhor caminho para abordar essas preocupações, preservando a confiança na relação bilateral".

No documento encaminhado ao USTR, a organização também declara que "não apoia uma ação tarifária generalizada, que prejudicaria os fabricantes, as cadeias de suprimentos e os consumidores dos EUA, acarretaria riscos de retaliação e minaria soluções duradouras. Instamos ambos os governos a continuarem buscando compromissos negociados para abordar as preocupações identificadas na investigação".

Pedido de exceções

A entidade também defende a ampliação da lista de produtos isentos das novas tarifas. A proposta inclui matérias-primas, insumos, componentes, equipamentos e outros bens considerados essenciais para cadeias produtivas estratégicas e para a competitividade da indústria estadunidense.

No início de junho, o USTR propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre as importações brasileiras. A medida prevê exceções para mercadorias classificadas como sujeitas às tarifas de segurança nacional, categoria que inclui produtos como carne bovina, café e petróleo.

Segundo o órgão, políticas brasileiras relacionadas ao comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, processamento de patentes, pirataria, etanol e desmatamento ilegal criariam insegurança jurídica e condições de concorrência consideradas desfavoráveis para empresas dos Estados Unidos.

Audiência em julho

A investigação foi aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, mecanismo utilizado por Washington para investigar e responder a práticas comerciais consideradas injustas por outros países.

O governo estadunidense realizará uma audiência pública no dia 6 de julho para receber manifestações favoráveis e contrárias à investigação. O encontro é visto por representantes do setor privado como uma das principais oportunidades para influenciar a decisão final sobre o tarifaço.

De acordo com a apuração, o governo federal não pretende participar da audiência. O Itamaraty avalia que o espaço é direcionado ao setor privado e à sociedade civil, enquanto o Executivo seguirá tratando do tema por meio dos canais diplomáticos oficiais.

O prazo para manifestação de interesse na audiência terminou na segunda-feira (22), enquanto o envio de contribuições escritas poderá ser feito até 1º de julho.

Fonte: Brasil 247 com informações da CNN Brasil

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