sexta-feira, 15 de maio de 2026

Candidato de esquerda vai ao 2º turno presidencial no Peru contra Keiko Fujimori após um mês de apuração

Diferença entre os dois candidatos foi de cerca de 21.210 votos, segundo o Escritório Nacional de Processos Eleitorais (Onpe)

      Roberto Sanchez (Foto: REUTERS/Angela Ponce)

Reuters - O candidato de esquerda Roberto Sánchez garantiu o segundo lugar com 100% dos votos apurados no primeiro turno da eleição presidencial peruana realizada em abril, informou o escritório eleitoral nesta sexta-feira, o que significa que ele enfrentará um segundo turno com Keiko Fujimori, de direita, que terminou em primeiro lugar.

O Escritório Nacional de Processos Eleitorais (Onpe) disse que Sánchez obteve 12,03% dos votos na contagem de cédulas atrasada após falhas logísticas e contestações ao processo, derrotando o ultraconservador Rafael López Aliaga, que obteve 11,90%.

A diferença entre os dois foi de cerca de 21.210 votos, segundo o Onpe.

Keiko Fujimori, a filha do falecido ex-presidente Alberto Fujimori, que está concorrendo pela quarta vez, liderou a contagem após as eleições de 12 de abril e obteve 17,18% dos votos.

Esperava-se, desde antes do primeiro turno eleitoral, que nenhum dos 35 candidatos, um recorde no país, teria apoio suficiente para evitar um segundo turno marcado para 7 de junho.

O Jurado Nacional de Eleições, o órgão que rege o processo, iniciou a proclamação do resultado presidencial em algumas seções eleitorais em Lima na segunda-feira. O anúncio oficial dos vencedores do primeiro turno será feito no domingo.

A lentidão na contagem dos votos levou a acusações de fraude por parte de López Aliaga e à renúncia do chefe do Onpe, Piero Corvetto, após irregularidades no processo que estendeu a votação por mais um dia. Observadores da União Europeia (UE) afirmaram, no entanto, que não foram encontradas provas concretas de fraude.

Sánchez, hoje parlamentar, concorreu na campanha como aliado do ex-presidente de esquerda Pedro Castillo, que sofreu impeachment e foi condenado à prisão por rebelião após tentar dissolver inconstitucionalmente o Congresso no final de 2022.

Sua esperada participação no segundo turno atingiu os mercados financeiros nas últimas semanas, refletindo a preocupação contínua entre os agentes econômicos sobre possíveis mudanças de política sob um governo de esquerda, como maior controle estatal da atividade econômica e a elaboração de uma nova Constituição no terceiro maior produtor de cobre do mundo.

Analistas preveem que o segundo turno das eleições será marcado por forte polarização política, em um país que vive em constante incerteza com oito presidentes desde 2018, devido a renúncias ou destituições de seus líderes.

Uma pesquisa da Ipsos Peru, realizada em 26 de abril, mostrou Keiko e Sánchez empatados com 38% dos votos cada, caso se enfrentassem em um segundo turno das eleições.

De acordo com os resultados eleitorais, os partidos conservadores de Keiko e López Aliaga lideram juntos a primeira força política no Senado e na Câmara dos Deputados, no retorno a um Congresso bicameral após três décadas no país andino.

Fonte: Brasil 247

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