quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

VÍDEO – Presidente de tribunal é confrontado por colegas após transferir R$ 3 milhões para o BRB


O desembargador Paulo Sérgio Velten Pereira e o presidente do TJ-MA, Froz Sobrinho. Foto: Reprodução

Desembargadores do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) descobriram que o presidente da corte, Froz Sobrinho, autorizou a transferência de R$ 2,8 bilhões em depósitos judiciais para o Banco de Brasília (BRB) e confrontaram o magistrado. A movimentação ocorreu sem deliberação prévia do colegiado e provocou reação interna no tribunal.

Diante das críticas, o presidente do TJ afirmou que a decisão foi exclusivamente sua e que assumiu integralmente os riscos da aplicação. Segundo ele, a mudança teria garantido rendimento mensal de cerca de R$ 15 milhões, valor cinco vezes superior aos aproximadamente R$ 3 milhões pagos pelo banco, de onde os recursos foram retirados.

A controvérsia aumentou em razão do histórico recente do BRB, que passou a ser alvo de apurações após aportes financeiros no Banco Master e a tentativa de aquisição da instituição, posteriormente liquidada pelo Banco Central do Brasil por fraude bancária. Procurado, Froz Sobrinho não respondeu se os valores transferidos foram direcionados a fundos ligados ao Master.

No dia 28 de janeiro, o presidente do TJ convocou uma reunião com os desembargadores para explicar a aplicação dos recursos e dividir a responsabilidade pela decisão. O encontro foi marcado por tensão e terminou em bate-boca entre magistrados.

Durante a reunião, o desembargador Paulo Sérgio Velten Pereira interrompeu a exposição e reclamou da condução do processo. Ele afirmou que a decisão não foi submetida ao colegiado e que não se sentia responsável por uma medida que classificou como grave.

“Com todo respeito, considero indevida essa convocação no tribunal para tratar desse tema agora, porque a decisão dessa migração foi exclusiva de vossa excelência. Ela não foi submetida ao colegiado. Não me sinto responsável por essa decisão. Foi uma decisão gravíssima e agora vamos dividir a responsabilidade?”, disse Pereira.

O presidente respondeu: “Não é gravíssima, não. Estou convidando, não convocando”. Em seguida, ouviu a réplica: “Eu estou fora, já aviso que estou fora”.

Ao final, Froz Sobrinho reiterou que assumiu pessoalmente o risco da operação e afirmou que buscou maior rentabilidade para cumprir compromissos financeiros do tribunal, como o pagamento de indenizações a juízes, desembargadores e servidores. “O risco foi meu e sou eu quem vai prestar contas”, declarou.

Fonte: DCM

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