Cúpula do Congresso negocia com bolsonaristas para derrubar veto de Lula ao PL da Dosimetria. Em troca, CPI do Banco Master deve ficar para trás
Lindbergh Farias, Hugo Motta e Davi Alcolumbre (Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados | Lula Marques/Agência Brasil)
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou nesta segunda-feira (23) que há uma articulação no Congresso Nacional para derrubar o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao PL da Dosimetria e, em contrapartida, esfriar a instalação da CPI do Banco Master. Segundo ele, a movimentação configuraria um “acordão imoral para anistiar golpistas”.
Em publicação nas redes sociais, o parlamentar declarou que “o bolsonarismo está querendo costurar um acordão para enterrar a CPI do Banco Master em troca de votar a anistia para Bolsonaro e os generais golpistas”. Ele acrescentou: “Nós vamos denunciar essa vergonha e exigir a leitura para a instalação da CPI na sessão do Congresso. Que tudo seja investigado!”.
O PL da Dosimetria, vetado por Lula, trata da redução de penas aplicadas a condenados pela tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. De acordo com Lindbergh, a proposta beneficiaria diretamente Jair Bolsonaro (PL) e militares condenados. “A cúpula do Congresso planeja derrubar o veto do presidente Lula àquele projeto de dosimetria, que nada mais é do que anistia para golpista. O Bolsonaro foi condenado a 27 anos, de 6 a 8 em regime fechado. Cairia para 2 anos e quatro meses. É para proteger também os generais que estão presos lá com o Bolsonaro”, afirmou.
O deputado convocou mobilização social contra a eventual derrubada do veto presidencial. “Nós vamos lutar e vamos precisar de vocês se mobilizando, nas ruas e nas redes”, disse. Em outro trecho, reforçou: “É uma vergonha, que nós vamos ter que responder com mobilização da sociedade”.
Segundo Lindbergh, haveria uma tentativa de condicionar a votação do veto à redução da pressão pela instalação da CPI do Banco Master. “O interessante é que eles dizem o seguinte: olha, para colocar em votação, vão ter que diminuir o movimento de pressão pela instalação da CPI do Banco Master. Porque, em tese, para o presidente do Congresso, Alcolumbre, chamar a sessão no Congresso, ele vai ter que ler a instalação da CPI do Master. Estão costurando um acordo com o bolsonarismo”, declarou.
O parlamentar criticou setores que, segundo ele, resistem à investigação. “Pessoal, esta turma bolsonarista, o que ela não quer é saber de investigação do Banco Master”, afirmou. Ele mencionou ainda nomes ligados ao banco e relações políticas: “O Vorcaro surge da igreja Lagoinha, aquela do Nikolas [Ferreira], do [André] Valadão. O cunhado dele, aquele Fabiano Zettel, foi o maior doador individual da campanha tanto do Tarcísio [de Freitas] quanto da do Bolsonaro".
Lindbergh declarou que parlamentares do PT e de outros partidos já subscreveram requerimentos alternativos para a criação de comissão parlamentar de inquérito. “A gente assinou tanto a CPI do Rolemberg na Câmara quanto outra CPI mista da Fernanda Melchiona e da Heloísa Helena, porque aquela do Jordy, o objeto é completamente furado. Nós assinamos uma outra”, disse.
Ao final, o deputado reiterou oposição a qualquer entendimento para barrar a investigação. “Fiquem tranquilos: nós não vamos fazer parte desse acordão imoral para anistiar golpista. O que não vai faltar é gente nossa na tribuna defendendo a leitura da criação da CPI do Banco Master”, afirmou.
Fonte: Brasil 247
Nenhum comentário:
Postar um comentário