quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Ex-prefeito bolsonarista de Lajeado é preso por suspeita de desviar dinheiro das enchentes no RS


Marcelo Caumo, ex-prefeito de Lajeado (RS). Foto: reprodução

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (26) a segunda fase da Operação Lamaçal para investigar suspeitas de desvio de recursos federais destinados à assistência social após as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em maio de 2024. Entre os alvos está o bolsonarista Marcelo Caumo, ex-prefeito de Lajeado e ex-secretário estadual de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano, preso temporariamente por cinco dias, prazo que pode ser prorrogado pela Justiça.

Segundo o Globo, a ação cumpre 20 mandados de busca e apreensão e dois de prisão temporária autorizados pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, além do sequestro de veículos e bloqueio de ativos financeiros.

As diligências ocorreram em Lajeado, Muçum, Encantado, Garibaldi, Salvador do Sul, Fazenda Vilanova, Novo Hamburgo e Porto Alegre. Agentes apreenderam veículos, documentos e equipamentos eletrônicos considerados relevantes para a investigação.

Segundo a Polícia Federal, os recursos sob suspeita vieram do Fundo Nacional de Assistência Social e foram repassados ao município para enfrentar os impactos das enchentes, uma das maiores tragédias ambientais da história do país. O desastre deixou 185 mortos, 23 desaparecidos e atingiu 478 dos 497 municípios gaúchos. Em Lajeado, duas pessoas morreram e três ficaram desaparecidas.

As investigações apontam possíveis irregularidades em três licitações realizadas pela prefeitura no último ano da gestão de Caumo, que governou a cidade entre 2017 e 2024. Há indícios de direcionamento para empresas de um mesmo grupo econômico contratadas para serviços de assistência social, com valores superiores aos praticados no mercado e sem escolha da proposta mais vantajosa.

Eduardo Leite, governador do RS, e Marcelo Caumo. Foto: reprodução
“As investigações identificaram irregularidades em três licitações da Prefeitura de Lajeado envolvendo empresas de um mesmo grupo econômico, contratadas para prestar serviços de assistência social. Há indícios de que as escolhas não observaram a proposta mais vantajosa e de que os valores pagos estavam acima dos preços de mercado”, informou a corporação.

A apuração é desdobramento da primeira fase da operação, realizada em novembro de 2025, quando foram apreendidos materiais que sustentaram a hipótese de fraude. Na ocasião, Caumo ocupava cargo no governo estadual e deixou a função após a repercussão do caso. O advogado do ex-prefeito, Jair Alves Pereira, declarou que ainda não teve acesso à decisão judicial que determinou a prisão.

Entre os crimes investigados estão desvio ou aplicação indevida de verba pública, contratação direta ilegal, fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

A Polícia Federal também apura a contratação emergencial de profissionais como psicólogos, assistentes sociais, educadores e motoristas, realizada com dispensa de licitação sob justificativa de calamidade pública. O valor inicial desses contratos é estimado em cerca de R$ 120 milhões.

As autoridades ressaltam que a investigação não tem relação com a atual administração municipal e que o objetivo é esclarecer a destinação dos recursos federais enviados para socorro às vítimas das enchentes. A operação evidencia a complexidade do acompanhamento de verbas emergenciais e reforça a fiscalização sobre contratos firmados em situações de calamidade.

Fonte: DCM com informações do jornal O Globo

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