Flávio Bolsonaro ao lado de Michelle em ato no dia 7 de outubro de 2024, em Brasília Foto: Wilton Júnior/Estadão
Os registros feitos pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), durante encontros partidários sobre a sucessão no Distrito Federal, revelaram um novo ponto de atrito com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL). As anotações indicam que o apoio do PL à vice-governadora Celina Leão (PP) ao governo local depende da decisão do atual governador Ibaneis Rocha (MDB) de concorrer ou não ao Senado, cenário que interrompeu uma articulação considerada praticamente definida pelo grupo ligado a Michelle.
No esboço discutido, Celina aparecia como candidata ao governo com duas vagas ao Senado reservadas ao PL, ocupadas por Michelle e pela deputada Bia Kicis. Ao lado desse desenho, porém, Flávio registrou que, se Ibaneis entrar na disputa senatorial, “não dá para oficializar” a aliança.
O comentário evidencia que a cúpula nacional do partido prefere manter flexibilidade antes de confirmar a composição eleitoral na capital, mesmo com a relação próxima entre Michelle e a vice-governadora.
A indefinição ocorre enquanto Ibaneis tenta viabilizar sua candidatura ao Senado sob o impacto político da crise envolvendo o Banco de Brasília. O governador defende a formação de um palanque unificado no DF, mas enfrenta a sinalização de Jair Bolsonaro de que apoiará a candidatura dupla do PL ao Senado com Michelle e Bia Kicis. O impasse reforça a disputa por espaço dentro do próprio campo bolsonarista na região.

O episódio também se soma a ruídos recentes entre aliados. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro cobrou maior participação de Michelle e do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) na pré-campanha presidencial de Flávio.
Após visitar o pai na Papudinha, o senador adotou discurso conciliador e disse que pretende conversar pessoalmente com a ex-primeira-dama. “Nós somos adultos, vamos conversar. Vou procurar todo mundo, como sempre fiz”, afirmou, acrescentando que todos estariam “na mesma página”.
Apesar das declarações públicas de unidade, o conteúdo das anotações sugere que as definições eleitorais no Distrito Federal continuam condicionadas a negociações locais e a movimentos de adversários.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, minimizou a possibilidade de divisão e afirmou acreditar que Michelle estará ao lado de Flávio no palanque. Procuradas, Michelle e Celina Leão não comentaram o assunto. O senador afirmou que os registros refletem apenas hipóteses debatidas internamente, não decisões finais.
Fonte: DCM
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