sábado, 10 de janeiro de 2026

Ipea projeta crescimento do PIB, investimentos e exportações com acordo Mercosul–UE

Segundo o estudo, Brasil teria crescimento proporcional maior que UE e parceiros

           Bandeira do Brasil e Mercosul (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)

Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indica que a entrada em vigor do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, aprovado nesta sexta-feira (9), tende a gerar efeitos positivos relevantes para a economia brasileira ao longo das próximas décadas. As estimativas apontam impactos favoráveis sobre o Produto Interno Bruto (PIB), os investimentos e a balança comercial do país. As informações são do InfoMoney.

De acordo com o levantamento, entre 2024 e 2040, o acordo poderá resultar em um crescimento acumulado de 0,46% no PIB brasileiro, o que corresponde a cerca de US$ 9,3 bilhões a preços constantes de 2023, em comparação com um cenário sem o tratado.

Os resultados mostram que, em termos relativos, o Brasil seria o principal beneficiado dentro do Mercosul. No mesmo intervalo de tempo, o PIB da União Europeia teria aumento estimado de apenas 0,06%, enquanto os demais países do bloco sul-americano registrariam crescimento de 0,20%.

● Base das projeções

Os pesquisadores utilizaram dados e projeções do Fundo Monetário Internacional referentes ao período de 2014 a 2026 e, a partir desse ponto, estenderam até 2040 as taxas de crescimento observadas no último ano da série. O estudo ressalta que as simulações foram elaboradas no início de 2024, antes das alterações mais recentes no texto do acordo, que ampliaram salvaguardas e mecanismos de proteção ao mercado europeu, sobretudo no setor agrícola.

● Impactos sobre investimentos

No campo dos investimentos, o acordo Mercosul–UE poderia elevar o volume investido no Brasil em 1,49% em relação ao cenário de referência. Mais uma vez, o resultado brasileiro supera o estimado para a União Europeia, de 0,12%, e para os demais países do Mercosul, de 0,41%.

Segundo o Ipea, esse desempenho está associado ao maior grau de diversificação da economia brasileira, o que permite absorver benefícios mais amplos em diferentes setores a partir da redução de barreiras comerciais.

● Balança comercial

O estudo projeta ainda um ganho líquido de US$ 302,6 milhões para o Brasil na balança comercial. Nos outros países do Mercosul, o saldo positivo seria de US$ 169,2 milhões. Já a União Europeia apresentaria uma perda estimada de US$ 3,44 bilhões, como resultado combinado das reduções tarifárias e das concessões de cotas de exportação previstas no acordo.

As simulações detalham a evolução das trocas comerciais ao longo do tempo. As importações brasileiras tenderiam a crescer de forma mais intensa nos primeiros anos de vigência do tratado, alcançando um pico de US$ 12,8 bilhões em 2034, antes de recuar para US$ 11,3 bilhões em 2040.

As exportações do Brasil, por sua vez, avançariam de maneira contínua, atingindo um ganho acumulado de US$ 11,6 bilhões ao final do período analisado. Esse movimento decorre da redução das tarifas de importação na União Europeia, do aumento das quantidades exportadas em setores beneficiados por cotas e da queda no custo interno de insumos e bens de capital, que tende a elevar a competitividade dos produtos brasileiros.

● Efeitos setoriais

Para a União Europeia, o estudo aponta que as importações cresceriam mais rapidamente nos primeiros anos do acordo e seguiriam em ritmo mais moderado posteriormente, alcançando ganho de 0,16% em 2040. As exportações também aumentariam, mas permaneceriam abaixo do crescimento das importações, encerrando o período com alta de 0,12%.

Nos demais países do Mercosul, as importações cresceriam nos primeiros dez anos, atingindo variação de 1,10% em 2034, antes de recuar para 0,92% em 2040. As exportações desses países cairiam nos primeiros seis anos, mas depois inverteriam a trajetória, chegando a crescimento de 0,97% ao final do horizonte analisado.

● Leitura técnica sobre os resultados

Segundo Fernando Ribeiro, técnico de planejamento e pesquisa do Ipea e um dos autores do estudo, "o benefício que o Brasil teria com o acordo é maior que o dos parceiros do Mercosul porque a economia brasileira é mais diversificada e teria ganhos mais extensos em termos setoriais". Ele acrescentou que a diferença em relação à União Europeia é esperada, uma vez que se trata de uma economia significativamente maior.

As simulações também indicam efeitos relevantes sobre a produção e o emprego no Brasil. A maior parte dos setores do agronegócio apresentaria ganhos com o acordo, enquanto eventuais perdas ficariam concentradas em segmentos industriais específicos, como veículos e autopeças, metais ferrosos, vestuário, têxteis, produtos farmacêuticos, máquinas, equipamentos e eletrônicos.

Fonte: Brasil 247 com informações do InfoMoney

Nenhum comentário:

Postar um comentário