Defesa de Alfredo Gaspar pede comparação genética e arquivamento caso exame descarte vínculo
Alfredo Gaspar - Crédito: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
O deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), anunciado como candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL), procurou a Procuradoria-Geral da República para oferecer seu material genético à realização de um exame de DNA. A medida é apresentada pela defesa como forma de contestar a acusação de estupro de vulnerável levada por parlamentares à Polícia Federal.
Segundo O Globo, advogados da campanha de Flávio Bolsonaro enviaram à PGR um documento em que pedem a comparação genética, a fixação de prazo curto para conclusão do procedimento e o arquivamento do caso se o exame descartar vínculo genético e não surgirem outros elementos contra Gaspar.
A PGR avalia se endossa um pedido da Polícia Federal para abertura de inquérito. O caso está no Supremo Tribunal Federal, sob relatoria do ministro Gilmar Mendes, que encaminhou o procedimento para manifestação da Procuradoria.
Gaspar nega ter cometido crime e afirma que o exame de DNA comprovará sua inocência. Em conversa com jornalistas nesta quinta-feira (6), o deputado disse que seu material genético já está disponível às autoridades.
“Estou implorando para que haja um DNA. O meu material está à disposição há cinco meses da Justiça. A minha verdade não interessa, interessa a verdade científica”, afirmou Gaspar.
Em abril deste ano, Alfredo Gaspar fez uma coleta de DNA na perícia oficial de Alagoas e, na ocasião, negou a acusação. O material, segundo o requerimento, foi obtido sob supervisão do Judiciário, de perito oficial, da Polícia Federal e do Ministério Público, e permanece sob guarda de órgãos oficiais.
Os advogados autorizam o compartilhamento desse material com a PGR. Caso ele não seja considerado suficiente, Gaspar se dispõe a realizar nova coleta imediatamente. A defesa afirma que basta à Procuradoria definir “dia, hora e local” e pede que o confronto genético seja feito “o mais rápido possível”.
A acusação veio à tona em março, durante a CPI do INSS, da qual Gaspar era relator. O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), adversários do parlamentar na comissão, acionaram a Polícia Federal para pedir investigação. Eles disseram ter tido acesso a “fatos graves”.
Na representação, Lindbergh e Soraya afirmaram ter recebido documentos sobre o suposto estupro de uma menina que teria 13 anos à época, engravidado e tido um filho. O episódio teria ocorrido há oito anos. Os parlamentares não apresentaram provas publicamente e disseram que era necessário preservar a criança e a mãe.
Em abril, a PF pediu autorização ao STF para abrir formalmente a investigação. No novo requerimento, a defesa de Gaspar sustenta que a PGR se opôs à instauração do inquérito naquele momento e optou por um procedimento preliminar. Os advogados afirmam que ainda não foram identificados elementos mínimos para justificar uma apuração formal.
A estratégia da defesa é encurtar essa etapa preliminar por meio do exame genético. Como a acusação envolve uma suposta gravidez e o nascimento de uma criança, os advogados alegam que a comparação de DNA permitiria testar objetivamente um ponto central da narrativa.
“Não tem um filho nascido desse suposto relacionamento? Estou implorando para que haja um DNA. Eu estou indignado e estou implorando”, disse Gaspar.
No documento à PGR, a defesa também pede que o procedimento seja encerrado caso o exame descarte vínculo genético e não haja outro elemento capaz de sustentar a acusação. Os advogados dizem que Gaspar não pretende ficar em uma “zona cinzenta”, sem acusação formal nem conclusão favorável.
A defesa afirma ainda que o deputado tomou mais de dez medidas desde que a acusação se tornou pública. Além de disponibilizar seu material genético, Gaspar apresentou representações contra Lindbergh e Soraya, acionou conselhos de ética no Congresso e ingressou com ações judiciais contra os dois parlamentares.
Coordenadora jurídica da campanha de Flávio Bolsonaro, a advogada Maria Cláudia Bucchianeri afirmou que a intenção é partir diretamente para a comparação genética, sem prolongar diligências preliminares.
“Nós não queremos diligências prévias, nós queremos logo o ato final, o batimento genético para encerrar esse assunto”, disse Bucchianeri.
“O material já foi coletado. Serve ou não serve? Se não serve, então nos diga onde serve, que ele está disposto a coletar imediatamente”, acrescentou.
Bucchianeri afirmou que pretende pedir audiências com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, com Gilmar Mendes e com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para tentar acelerar uma definição.
“Vamos tentar audiência com Gilmar, Gonet, Andrei, todo mundo”, declarou.
A escolha de Gaspar como vice de Flávio Bolsonaro foi anunciada na quarta-feira (5), o que recolocou o caso no centro da disputa política. O coordenador da campanha, Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que a acusação já era conhecida e foi considerada antes da definição da chapa.
Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo
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