Luis Antonio Lopes entrou no partido sete dias após prestar depoimento à Polícia Legislativa
Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar - Crédito: Adriano Machado/Reuters
O comerciante Luis Antonio Lopes, autor do depoimento que apontou uma suposta “armação” contra o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), se filiou ao PL exatamente uma semana depois de prestar declarações à Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados. Gaspar é apontado como candidato a vice-presidente na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL).
Segundo a coluna de Igor Gadelha, no Metrópoles, registros mostram que Lopes ingressou no partido em 30 de abril de 2026. O depoimento sobre a alegada trama havia sido prestado em 23 de abril. A filiação ocorreu em Nilópolis, município da Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro.
No depoimento, o comerciante afirmou que a acusação de estupro de vulnerável envolvendo Gaspar teria sido uma “armação”. As declarações foram colhidas depois que o próprio parlamentar acionou a Polícia Legislativa. Gaspar informou que Lopes havia telefonado para seu gabinete para denunciar a suposta trama.
O material produzido a partir do depoimento foi encaminhado pela Câmara dos Deputados ao Supremo Tribunal Federal (STF) em 5 de maio.
☉ Relato chegou ao STF após menção a Lindbergh
A remessa ao Supremo ocorreu depois que Lopes mencionou pessoas que, segundo seu relato, teriam ligação com o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ).
Antes disso, em 27 de março, Lindbergh e a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) haviam apresentado uma denúncia segundo a qual Gaspar teria estuprado uma adolescente e seria pai de uma filha decorrente da suposta violência sexual.
De acordo com o relatório da Polícia Legislativa citado pela reportagem, Lopes tinha 62 anos à época do depoimento e seria proprietário de um quiosque no shopping Jardim Guadalupe, na Zona Norte do Rio de Janeiro.
Em sua versão dos acontecimentos, o comerciante afirmou que a suposta armação teria envolvido Marcela Maria Mendes, uma jovem que prestava serviços em seu estabelecimento.
Segundo Lopes, Marcela teria sido preparada para conceder entrevistas sob o nome de “Jailma”, apresentando-se como vítima de um suposto abuso sexual atribuído a Gaspar.
O boletim de ocorrência reproduzido pela coluna registra que “am determinada ocasião, Marcela se reuniu com uma mulher jornalista e com um indivíduo de nome Lucas, o qual se apresentava como assessor do Legislativo, conhecido do prefeito de Nova Iguaçu e, posteriormente, como ligado ao contexto político de Lindbergh Farias; […] tomou conhecimento, por intermédio de um colaborador do seu estabelecimento, senhor Rodrigo Freitas, morador da comunidade do Acari e vizinho de Marcela, de que ela havia sido preparada para conceder entrevista sob identidade falsa, utilizando o nome fictício de ‘Jailma’, afirmando falsamente ser oriunda de Maceió/AL e sustentando narrativa segundo a qual teria sido abusada sexualmente, ainda adolescente, por um político, fato do qual teria resultado uma criança”.
☉ Comerciante citou suposta reunião
Durante a oitiva, Lopes também afirmou que Lindbergh teria participado de uma reunião virtual com Marcela e outras pessoas. O documento, no entanto, atribui ao próprio depoente a percepção de que o parlamentar teria conhecimento do contexto das conversas.
“Segundo sua percepção, o declarante acredita que Lindbergh Farias parecia ter ciência do contexto tratado nas reuniões e integraria o conjunto de pessoas que discutiam os desdobramentos da narrativa. […] O indivíduo Lucas foi apontado por Marcela e também percebido pelo declarante como o mentor inicial da ideia daquela simulação. […] Lucas se vangloriava de ter sido ele quem apresentou a proposta a Carlos Roberto Lopes e outros personagens políticos”, diz o boletim de ocorrência.
As afirmações integram o relato apresentado pelo comerciante à Polícia Legislativa e não são apresentadas, nas informações fornecidas, como fatos comprovados.
☉ Lindbergh chama depoimento de “picaretagem”
Lindbergh negou de forma categórica as acusações e afirmou desconhecer as pessoas mencionadas pelo comerciante. O deputado também disse não ter participado das reuniões descritas no depoimento.
“Isso é uma picaretagem. Desconheço os citados e a suposta investigação da Polícia Legislativa. Não conheço os envolvidos e não participei de reuniões para tratar desse assunto. A primeira coisa que a Polícia Federal tem que fazer é investigar esse tal ‘tio Luiz’, prender esse cara. Esse depoimento é inventado e é mais uma suspeita em cima do Alfredo Gaspar. Por que esse cara deu esse depoimento à Polícia Legislativa? A pedido de quem?”, questionou Lindbergh ao Metrópoles.
Fonte: Brasil 247 com informações do Metrópoles
Nenhum comentário:
Postar um comentário