
Temas nacionais estão ocupando mais espaço do que os problemas regionais na comunicação dos candidatos aos governos estaduais e ao Senado. O primeiro relatório do Hubs Regionais 2026, divulgado na coluna da Mônica Bergamo, pela Folha de S. Paulo, mostra que a direita utiliza as disputas locais para promover segurança pública, ataques ao Judiciário e a narrativa de perseguição política a Jair Bolsonaro.
O projeto acompanha os perfis dos candidatos no Instagram e é coordenado pelo Instituto Democracia em Xeque e pela PUC-Rio, com a participação de universidades federais. O levantamento identifica diferenças entre as regiões e estratégias relacionadas à desinformação e à manipulação de dados.
No Sudeste, a segurança pública aparece como a principal pauta dos candidatos de direita. As publicações destacam operações policiais, endurecimento de penas e discursos punitivistas. A região também concentra o maior uso da alegação de que Jair Bolsonaro seria vítima de perseguição política.
Candidaturas de esquerda e centro-esquerda adotam outro enfoque ao tratar da segurança. Os conteúdos dão mais espaço à violência contra as mulheres, às desigualdades sociais e às críticas às gestões estaduais, especialmente em São Paulo e Minas Gerais.

No Centro-Oeste, ataques ao Supremo Tribunal Federal e alegações de fraude no sistema eleitoral ganham destaque. O deputado Gustavo Gayer (PL-GO), candidato ao Senado, aparece como um dos principais propagadores dessas mensagens: nove das dez publicações de maior engajamento na região eram dele.
Em Santa Catarina e no Paraná, candidatos de direita também concentram a comunicação na defesa de Bolsonaro e nas críticas ao Judiciário. No Rio Grande do Sul, essas pautas dividem espaço com a reconstrução após os desastres climáticos e discussões sobre soberania e geopolítica.
O Nordeste é a única região em que os assuntos locais geram mais engajamento do que as pautas nacionais. João Campos (PSB), candidato ao governo de Pernambuco, lidera o volume de interações entre os postulantes aos governos estaduais, com mais de 713 mil em dez dias. Cultura, festas populares e a imagem de gestor ligado ao interior aparecem com força na região.
O tarifaço dos Estados Unidos e a defesa do Pix também atravessam as campanhas. Governistas usam os temas para destacar a soberania nacional e a reação do governo Lula, enquanto opositores tentam responsabilizar o Executivo federal e decisões do Judiciário pelas medidas estadunidenses.
Fonte: DCM com informações da coluna da Mônica Bergamo, na Folha de S. Paulo
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