Insatisfeito, senador deve deixar o Republicanos e se filiar ao PL
Cleitinho Azevedo (Crédito: Carlos Moura/Agência Senado)
Barrado pelo Republicanos na disputa pelo governo de Minas Gerais, o senador Cleitinho Azevedo ainda tenta reverter a decisão da legenda, mas aliados avaliam que a possibilidade de uma mudança de postura da sigla é remota e já trabalham com o cenário de sua desfiliação nas próximas semanas, segundo o jornal O Globo.
Apesar de ter anunciado publicamente em entrevista coletiva que continuará na disputa e prometido procurar o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, a relação de Cleitinho com a cúpula partidária se tornou praticamente irreversível. Interlocutores apontam que o parlamentar perdeu espaço nas decisões internas do partido e que as chances de uma reviravolta são mínimas, consolidando a perspectiva de mudança de legenda.
Diante da desilusão com o Republicanos, a expectativa é que Cleitinho procure a direção do PL. Na última terça-feira (28), o senador conversou com o deputado federal Nikolas Ferreira e com o senador Flávio Bolsonaro, na esperança de obter apoio para manter sua pré-candidatura ao governo de Minas Gerais. Embora o apelo não tenha surtido o efeito prático esperado, o parlamentar demonstrou satisfação com a atenção recebida das lideranças liberais.
Segundo aliados, o PL surge como o destino mais provável por já ter feito convites formais de filiação a Cleitinho em outras ocasiões — propostas que ele havia recusado no passado. Agora, diante do forte desgaste com o Republicanos, ele avalia que a sigla de Flávio Bolsonaro reúne as melhores condições para dar sustentação ao seu projeto político.
⦾ Instabilidade e enfraquecimento político
A eventual mudança de partido ocorre em um momento de fragilidade para o senador. Embora continue liderando as pesquisas de intenção de voto para o governo de Minas Gerais, interlocutores de diferentes legendas afirmam que Cleitinho saiu politicamente enfraquecido do impasse. Para essas lideranças, a sequência de sinais contraditórios sobre sua real disposição de concorrer, somada aos sucessivos adiamentos de uma definição, consolidou a imagem de um político instável.
Essa percepção ganhou força entre as siglas que buscavam construir uma candidatura única do campo da direita no estado. Integrantes do Republicanos, do PL e da federação União Progressista passaram a demonstrar forte preocupação com a condução das negociações por parte do senador, argumentando que as frequentes mudanças de postura atrasaram a montagem das chapas proporcionais, dificultaram a costura de alianças locais e comprometeram a organização da campanha em solo mineiro.
Esse diagnóstico pesou decisivamente na decisão do Republicanos de abandonar a pré-candidatura de Cleitinho e selar um acordo em torno do ex-secretário da Casa Civil Marcelo Aro (PP). Na cúpula da legenda, prevaleceu a avaliação de que, apesar do bom desempenho nas pesquisas, o senador transmitia insegurança aos aliados e aos candidatos que dependiam da definição da chapa majoritária para organizar suas estruturas eleitorais.
⦾ Narrativa do entorno e promessa de reação
No entorno de Cleitinho, a leitura sobre o episódio é diferente. Aliados acusam o Republicanos de romper um compromisso construído ao longo de meses de negociação e de ter descartado justamente o nome mais competitivo da direita para enfrentar o governador Mateus Simões (PSD).
O senador sustenta que havia um acordo prévio para oficializar e lançar sua candidatura apenas no dia 5 de agosto e afirma que tentará convencer Marcos Pereira a voltar atrás. Apesar da disposição pública demonstrada por Cleitinho, interlocutores próximos reconhecem reservadamente que uma reversão é improvável e mantêm a aposta de que o desfecho será a saída da sigla.
⦾ Potencial eleitoral e interesse do PL
Apesar do desgaste gerado pela crise, dirigentes do PL avaliam que o potencial eleitoral de Cleitinho permanece elevado e que ele segue como um dos principais ativos da direita em Minas Gerais — estado considerado estratégico para o projeto presidencial de Flávio Bolsonaro.
A leitura no PL é que o conflito interno no Republicanos não é suficiente para inviabilizar sua chegada e que dificilmente a legenda recusaria sua filiação caso o rompimento se confirme. Da mesma forma, não há expectativa de resistência por parte da direção do Republicanos, visto que integrantes da própria sigla avaliam, reservadamente, que uma desfiliação pode ser conveniente para ambos os lados.
Aliados do parlamentar acreditam que, assim que a crise em torno do pleito deste ano for superada, Cleitinho conseguirá reorganizar seu projeto político e preservar seu capital eleitoral para disputas futuras. A avaliação final no seu círculo próximo é que, mesmo tendo sofrido um abalo com o episódio, ele permanece como uma das principais lideranças da direita em Minas Gerais.
Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo
Nenhum comentário:
Postar um comentário