sexta-feira, 31 de julho de 2026

Podemos adia definição, sinaliza neutralidade e amplia impasse na chapa de Flávio Bolsonaro

 Partido transfere à executiva nacional a definição sobre candidatura própria, aliança ou neutralidade na eleição presidencial

Renata Abreu, presidente nacional do Podemos
Crédito: Reprodução/Facebook

A convenção nacional do Podemos terminou sem uma posição final sobre o papel do partido na disputa pela Presidência da República em 2026. A legenda, cortejada pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL), decidiu deixar a definição sobre alianças nas mãos da executiva nacional, que terá até quarta-feira (5) para deliberar sobre o tema.

A informação foi publicada pelo Metrópoles. A tendência interna, segundo dirigentes citados pela reportagem, é que o Podemos opte pela neutralidade e não declare apoio formal a nenhum presidenciável.

Com a decisão tomada na quinta-feira (30), a direção nacional, presidida por Renata Abreu, recebeu autonomia para definir se a sigla lançará candidatura própria, apoiará outro nome ou ficará fora das coligações presidenciais. O prazo coincide com o último dia permitido para a realização de convenções partidárias.


⦿ PL tenta atrair partidos do Centrão

A indefinição do Podemos aumenta as dificuldades da campanha de Flávio Bolsonaro para consolidar alianças com partidos do Centrão. O PL ainda não anunciou o nome do vice na chapa presidencial e mantém a vaga aberta como instrumento de negociação política.

Segundo a reportagem, diferentes instâncias do Podemos vêm sendo consultadas sobre uma eventual composição com Flávio. Entre os defensores da aliança está o vice-presidente da legenda, pastor Everaldo. O PL mantém conversas com o partido desde o início do ano, especialmente por meio de Valdemar Costa Neto, presidente nacional da sigla.

Em 2022, o Podemos integrou a coligação de Simone Tebet, então candidata do MDB à Presidência. Agora, a legenda avalia se repetirá uma estratégia de alinhamento formal ou se adotará postura neutra no pleito.

⦿ Vice segue indefinido

A expectativa inicial do PL era apresentar a chapa completa no sábado (25), durante a convenção que oficializou Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência. Como as negociações não avançaram, a escolha do vice foi adiada.

Na própria convenção, o PL autorizou sua executiva nacional a decidir posteriormente sobre coligações, indicação do candidato a vice-presidente e outros temas eleitorais. A medida abriu espaço para prolongar as conversas até o prazo final de registro das candidaturas na Justiça Eleitoral.

O nome preferido de Flávio para a vice é o da ex-presidente da Caixa Daniella Marques, filiada ao Republicanos. O partido, porém, também sinaliza a possibilidade de permanecer neutro na disputa presidencial. A convenção nacional da legenda está marcada para terça-feira (4).

⦿ Neutralidade trava articulações

Outra tentativa do PL foi atrair a federação União Progressista, formada por União Brasil e PP. A senadora Tereza Cristina, do PP de Mato Grosso do Sul, chegou a aceitar o convite para compor a chapa nesta semana, depois de recusá-lo em outras ocasiões.

A composição, no entanto, foi barrada pela direção nacional do PP, que reafirmou a decisão de manter neutralidade na eleição presidencial. O movimento frustrou mais uma articulação do PL para ampliar a base partidária de Flávio Bolsonaro.

A dificuldade em fechar alianças reforça a corrida contra o tempo dentro do calendário eleitoral. Embora os candidatos precisem ser aprovados em convenção até quarta-feira (5), os partidos podem delegar à executiva nacional a decisão sobre coligações e indicações.

⦿ Prazo final vai até 15 de agosto

Essa brecha permite que a definição completa da chapa seja adiada até 15 de agosto, data-limite para o registro das candidaturas na Justiça Eleitoral. O mecanismo foi adotado tanto pelo PL quanto pelo Podemos.

Para que esse caminho seja viável, o PL precisa fechar acordo com uma legenda que também tenha delegado poderes à sua executiva nacional ou aprovar a coligação ainda durante a convenção partidária.

Caso nenhuma negociação avance, caberá ao próprio PL indicar o candidato a vice. Segundo interlocutores da legenda citados pelo Metrópoles, nesse cenário a decisão final será de Flávio Bolsonaro.

Fonte: Brasil 247 com informações do Metrópoles

Nenhum comentário:

Postar um comentário