terça-feira, 7 de julho de 2026

Pode rir: golpista Temer diz respeitar Dilma, mas reclama que ela nunca mais falou com ele


      A ex-presidente Dilma Rousseff e o golpista, Michel Temer. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Michel Temer (MDB), o vice que chegou ao Planalto após o golpe parlamentar contra Dilma Rousseff (PT), afirmou que respeita a ex-presidente, mas disse que ela nunca mais falou com ele depois do impeachment de 2016. A declaração foi dada em entrevista ao programa Frente a Frente, do Canal UOL.

Questionado por Daniela Lima sobre o fato de quase não mencionar o nome de Dilma, Temer tentou apresentar uma versão cordial da ruptura. Disse que tem “muito gosto” em falar da petista e lembrou um episódio em que, ao comentar o caso Pasadena, chamou a ex-presidente de “muito honesta” e “honestíssima”.

Segundo Temer, Dilma teria reagido mal ao elogio. “No dia seguinte ela lançou uma nota dizendo que não admitia que eu a chamasse de honesta. Aí, até a sua colega me ligou e eu disse: ‘Eu prometo não fazer mais essa acusação’”, afirmou, em tom de ironia.

O emedebista também citou seu discurso de posse interina, quando assumiu o governo após o afastamento de Dilma. Ele disse ter pedido um aplauso à então presidente e afirmado que a respeitava institucionalmente. “O tempo passou e eu posso dizer essas coisas”, declarou.

Ao ser perguntado se nunca mais havia falado com Dilma, Temer corrigiu a formulação. “Não, ou melhor, ela nunca mais falou comigo”, disse. A frase resume a fratura política aberta em 2016, quando o então vice rompeu com o governo eleito e assumiu a Presidência após o impeachment.



Na entrevista, Temer também foi confrontado com o rótulo de golpista. Ele evitou enquadrar o impeachment de Dilma como golpe e preferiu apontar os ataques bolsonaristas de 8 de Janeiro de 2023 como tentativa real de ruptura institucional. Segundo ele, houve intenção golpista porque os invasores atacaram prédios que abrigavam os Poderes da República.

O ex-presidente ainda elogiou o ministro Alexandre de Moraes e o Supremo Tribunal Federal, afirmando que decisões da Corte ajudaram a garantir as eleições e a fortalecer a democracia. Ele disse que é possível discutir o mérito de decisões do STF, mas não suas competências constitucionais.

A fala sobre Dilma recoloca Temer diante do episódio que definiu sua trajetória política. Anos depois de assumir o poder com apoio da direita, do Centrão e de setores que derrubaram a presidente eleita, o emedebista tenta reivindicar respeito institucional à mulher que perdeu o cargo — mas admite que, desde então, ela não lhe dirige a palavra.

Fonte: DCM com informações do Canal UOL

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