Procuradoria quer que senador seja ouvido pela PF após postagem que atribuiu crimes ao presidente Lula
A Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu nesta segunda-feira (6) que a Polícia Federal (PF) ouça o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, no inquérito que investiga a suposta prática do crime de calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As informações são do G1.
A manifestação da PGR ocorre após a Polícia Federal concluir o relatório da investigação aberta por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O inquérito foi instaurado em abril deste ano a pedido da própria PF, com parecer favorável da Procuradoria.
◉ PF concluiu investigação e apontou indícios de calúnia
No relatório encaminhado ao Supremo, a Polícia Federal afirmou haver elementos para enquadrar a conduta de Flávio Bolsonaro no crime de calúnia previsto no artigo 138 do Código Penal, combinado com o artigo 141, inciso I e § 2º.
“Resta claro o cometimento, pelo Exmo. Sr. Senador Flavio Nantes Bolsonaro, do crime tipificado no art. 138 c/c art. 141, inciso I e § 2° do Código Penal. Posto isto, encerram-se os trabalhos de Polícia Judiciária, remetendo-se os presentes autos para apreciação e demais providências que se entendam pertinentes, permanecendo este órgão policial à disposição para eventuais outras diligências que sejam imprescindíveis à apuração do fato”, destaca um trecho do documento.
Com a conclusão das investigações, o material foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal para análise das próximas providências.
◉ Publicação nas redes motivou a investigação
A investigação teve origem em uma postagem publicada por Flávio Bolsonaro na rede social X em 3 de janeiro de 2026. Na publicação, o senador atribuiu ao presidente Lula crimes como tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, apoio a terroristas e ditaduras e fraudes eleitorais.
Segundo a Polícia Federal, a postagem também associava uma imagem de Lula ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, acompanhada da afirmação de que o chefe do Executivo brasileiro “será delatado”.
Ao analisar o conteúdo, a PF concluiu que a mensagem imputava falsamente crimes ao presidente da República.
“Tendo em vista o teor da postagem associando a imagem do Presidente Lula ao do ex-Presidente Maduro, que acabara de ser preso, acusado pelos EUA de envolvimento com o tráfico de drogas, alegando que o primeiro seria delatado, fica claro que o Senador afirma que a delação seria feita por Nicolas Maduro, e que, no entendimento do Senador, os crimes pelos quais o Presidente Lula seria delatado estão listados na sequência da postagem, quais sejam, tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras e eleições fraudadas”, destaca o relatório, de acordo com a reportagem.
◉ PGR sustentou existência de indícios concretos do crime de calúnia
Ao defender a continuidade da investigação, a Procuradoria-Geral da República sustentou que a publicação apresenta “indícios concretos” da prática do crime de calúnia, por atribuir falsamente ao presidente da República a prática de delitos.
Para a PGR, a postagem caracteriza uma imputação falsa e de caráter vexatório contra Lula, justificando a adoção de novas diligências no âmbito do inquérito.
Fonte: Brasil 247 com informações do G1
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