segunda-feira, 6 de julho de 2026

PGR pede que PF ouça Flávio Bolsonaro em caso de calúnia contra Lula

Procuradoria quer que senador seja ouvido pela PF após postagem que atribuiu crimes ao presidente Lula

       Presidente Lula – Flávio Bolsonaro  -    Crédito: Ricardo Stuckert/PR | Agência Senado

A Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu nesta segunda-feira (6) que a Polícia Federal (PF) ouça o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, no inquérito que investiga a suposta prática do crime de calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As informações são do G1.

A manifestação da PGR ocorre após a Polícia Federal concluir o relatório da investigação aberta por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O inquérito foi instaurado em abril deste ano a pedido da própria PF, com parecer favorável da Procuradoria.

◉ PF concluiu investigação e apontou indícios de calúnia

No relatório encaminhado ao Supremo, a Polícia Federal afirmou haver elementos para enquadrar a conduta de Flávio Bolsonaro no crime de calúnia previsto no artigo 138 do Código Penal, combinado com o artigo 141, inciso I e § 2º.

“Resta claro o cometimento, pelo Exmo. Sr. Senador Flavio Nantes Bolsonaro, do crime tipificado no art. 138 c/c art. 141, inciso I e § 2° do Código Penal. Posto isto, encerram-se os trabalhos de Polícia Judiciária, remetendo-se os presentes autos para apreciação e demais providências que se entendam pertinentes, permanecendo este órgão policial à disposição para eventuais outras diligências que sejam imprescindíveis à apuração do fato”, destaca um trecho do documento.

Com a conclusão das investigações, o material foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal para análise das próximas providências.

◉ Publicação nas redes motivou a investigação

A investigação teve origem em uma postagem publicada por Flávio Bolsonaro na rede social X em 3 de janeiro de 2026. Na publicação, o senador atribuiu ao presidente Lula crimes como tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, apoio a terroristas e ditaduras e fraudes eleitorais.

Segundo a Polícia Federal, a postagem também associava uma imagem de Lula ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, acompanhada da afirmação de que o chefe do Executivo brasileiro “será delatado”.

Ao analisar o conteúdo, a PF concluiu que a mensagem imputava falsamente crimes ao presidente da República.

“Tendo em vista o teor da postagem associando a imagem do Presidente Lula ao do ex-Presidente Maduro, que acabara de ser preso, acusado pelos EUA de envolvimento com o tráfico de drogas, alegando que o primeiro seria delatado, fica claro que o Senador afirma que a delação seria feita por Nicolas Maduro, e que, no entendimento do Senador, os crimes pelos quais o Presidente Lula seria delatado estão listados na sequência da postagem, quais sejam, tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras e eleições fraudadas”, destaca o relatório, de acordo com a reportagem.

◉ PGR sustentou existência de indícios concretos do crime de calúnia

Ao defender a continuidade da investigação, a Procuradoria-Geral da República sustentou que a publicação apresenta “indícios concretos” da prática do crime de calúnia, por atribuir falsamente ao presidente da República a prática de delitos.

Para a PGR, a postagem caracteriza uma imputação falsa e de caráter vexatório contra Lula, justificando a adoção de novas diligências no âmbito do inquérito.

Fonte: Brasil 247 com informações do G1

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