domingo, 12 de julho de 2026

Moraes manda pastor Márcio Poncio para prisão domiciliar com tornozeleira


    Pastor Márcio Poncio. Foto: Reprodução

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), converteu a prisão preventiva do pastor Márcio Poncio em prisão domiciliar e determinou o uso de tornozeleira eletrônica. Poncio é investigado pela Polícia Federal na Operação Unha e Carne, que apura a ligação de agentes públicos com pagamentos do jogo do bicho e da chamada “Máfia do Cigarro”.

A PF prendeu o pastor na quinta-feira (02), durante a 5ª fase da operação. Também viraram alvos de mandados de prisão o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, e o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, que já estavam detidos.

Moraes citou o estado de saúde de Poncio para substituir a preventiva pela domiciliar. O pastor sofre de retocolite ulcerativa grave, passou por cirurgia para retirada do intestino grosso e do reto e precisa de tratamento contínuo.

O ministro também levou em conta a gravidez de alto risco da esposa do investigado. Na ação que resultou na prisão, agentes da Polícia Federal localizaram Poncio em um flat na Praia da Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio.

Márcio Poncio, pastor bolsonarista. Foto: reprodução

Decisão impõe restrições a redes, contatos e documentos

Além do monitoramento eletrônico, Moraes proibiu Márcio Poncio de manter contato, por qualquer meio, com os demais investigados. A decisão também impede o pastor de usar redes sociais.

O despacho determina ainda a suspensão imediata de eventuais documentos de porte de arma de fogo em nome de Poncio e a entrega dos passaportes. Pastor da Igreja da Nuvem e empresário, ele é pai da deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade-RJ) e do cantor Saulo Poncio, ex-integrante da dupla UM44K.

A investigação trata Poncio como suspeito de ligação com a “Máfia do Cigarro”. Adilsinho, apontado como uma das principais lideranças do jogo do bicho no Rio de Janeiro, é investigado como chefe da organização criminosa.

A Polícia Federal afirma que a nova fase da Operação Unha e Carne busca aprofundar indícios de lavagem de dinheiro atribuídos à nova cúpula do jogo do bicho e possíveis ramificações do esquema junto a integrantes dos poderes Executivo e Legislativo do Rio.

A 5ª fase da operação deriva da Operação Fumus, deflagrada em junho de 2021 contra o monopólio de cigarros no Grande Rio. Na ocasião, Adilsinho era alvo, mas não foi encontrado; os investigadores localizaram planilhas com “supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e contabilidade vinculada à lavagem de capitais”.

As planilhas chamaram a atenção por possíveis repasses diretos a agentes políticos do Rio. A TV Globo apurou que pelo menos 20 políticos são investigados por suspeita de receber mesada de Adilsinho, preso em fevereiro deste ano em Cabo Frio após monitoramento por drones.

Em abril, o ministro Gilmar Mendes, do STF, afirmou que ouviu de um diretor da Polícia Federal relatos de que mais de 30 deputados da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro recebiam mesadas do jogo do bicho.

Fonte: DCM

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