sexta-feira, 26 de junho de 2026

VÍDEO: Economista passa pano para Michelle Bolsonaro e é escrachado por Octávio Guedes na GloboNews


          Octávio Guedes e Daniel Sousa na GloboNews. Foto: reprodução

O jornalista Octávio Guedes deu uma resposta dura ao economista Daniel Sousa durante o programa “Studio I”, da GloboNews, na última quinta-feira (25), em debate mediado por Andréia Sadi sobre a crise entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O momento ocorreu após Daniel afirmar que a ex-primeira-dama havia apresentado argumentos calculados ao se colocar como defensora dos “valores cristãos” diante dos filhos de Jair Bolsonaro.

A discussão começou com a análise do vídeo publicado por Michelle, no qual ela acusa Flávio de tê-la desrespeitado em uma conversa telefônica sobre a articulação do PL no Ceará. Para Guedes, o episódio inverteu a pauta política e colocou a crise no campo bolsonarista, no momento em que o governo Lula passou a explorar o desgaste interno dos adversários.

O comentarista afirmou que Flávio tem reagido mal às crises da pré-campanha. Citou o caso dos questionamentos sobre suposto financiamento de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, à cinebiografia de Jair Bolsonaro, e a primeira resposta do senador ao vídeo de Michelle, quando publicou que era dia de jogo do Brasil e que nada o aborreceria.

“Flávio ele não age com inteligência quando é confrontado, quando tem um problema, né. Então quando ele tem um problema, ele entra em estado de negação. Isso a gente já pode traçar esse, esse perfil do Flávio, pelo menos nessa campanha, nas duas crises que ele teve que administrar”, disse Guedes.

Ao analisar Michelle, o jornalista disse que o vídeo teve impacto por reunir antigas declarações de Ciro Gomes contra a família Bolsonaro. Ele afirmou, porém, que a ex-primeira-dama adota um discurso de “pureza” que considera perigoso. Para Guedes, Michelle representa uma ala mais radical do que Flávio por defender a prevalência de uma autoridade religiosa sobre princípios republicanos.

“Eu tenho muito receio desse tipo de discurso. Eu já falei que a Michelle tem o discurso mais radical do que o do Flávio Bolsonaro. É mais ameaçador à democracia do que. Por quê? Porque ela defende que uma autoridade religiosa esteja acima da Constituição. Ela defende o fim do Estado laico. Ela acaba com um dos pilares da República. É tão grave ou mais grave que a quartelada de, de militares”, argumentou.

Daniel Sousa, então, avaliou que Michelle havia detalhado bem sua posição e que, do ponto de vista político, os filhos de Bolsonaro pareciam incoerentes. Segundo ele, a ex-primeira-dama se apresentou como alguém que “só defende os valores cristãos”, enquanto os filhos não fariam o mesmo.


“Os filhos não estão defendendo os valores cristãos e isso me parece que é calculado de forma muito precisa e projetado de maneira muito cuidadosa”, explicou.

Foi nesse momento que Guedes reagiu com a “lapada” que viralizou nas redes sociais. O jornalista lembrou que o discurso de pureza de Michelle esbarra em fatos ainda não esclarecidos, como os cheques recebidos de Fabrício Queiroz, personagem central do caso das “rachadinhas” no gabinete de Flávio.

“Só quero lembrar que toda essa pureza que ela defende, ela recebeu cheques do Queiroz. Isso nunca foi esclarecido”, afirmou Guedes. O comentarista destacou que Queiroz era apontado como operador da rachadinha no gabinete de Flávio e que Michelle recebeu R$ 89 mil entre 2011 e 2016.

Andréia Sadi reforçou a informação citando reportagem do G1, segundo a qual Fabrício Queiroz e a esposa, Márcia Aguiar, repassaram valores à então primeira-dama. Quando Daniel tentou responder, dizendo que ninguém estava comprando o discurso de Michelle “pelo valor de face”, Guedes interrompeu.

“Equívoco seu, Daniel. Eu não falei nada disso. Eu não comento comentário de comentarista. Estou trazendo fatos jornalisticamente”, rebateu.

O jornalista concluiu que o discurso de pureza na política exige cautela quando não enfrenta suas próprias contradições. “Não é possível esse discurso da Michelle de pureza na política. É perigoso”, afirmou.

Fonte: DCM

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