Polícia Federal avalia que nova proposta de Daniel Vorcaro não traz fatos inéditos e deve recusar colaboração pela segunda vez
Danmiel Vorcaro, a PF no Distrito Federal e, ao fundo, a Papudinha (Foto: Reprodução I Divulgação (redes sociais))
A Polícia Federal deve rejeitar a nova proposta de delação premiada apresentada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, por avaliar que os termos enviados na semana passada não acrescentam elementos relevantes à investigação. A decisão deve ser comunicada aos advogados ainda nesta semana, possivelmente nesta terça-feira (9), segundo Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo.
Será a segunda vez, em menos de um mês, que a PF recusa uma tentativa de colaboração de Vorcaro. Em maio, a primeira proposta já havia sido considerada insuficiente pelos investigadores, que apontaram ausência de fatos novos e a omissão de informações que já eram conhecidas pelas autoridades.
Na nova tentativa, Vorcaro teria apresentado detalhes sobre situações envolvendo políticos e autoridades. Para os investigadores, no entanto, o material continuaria sem indicar novidades concretas em relação ao que já foi apurado e também não apontaria crimes atribuídos a parceiros do ex-banqueiro.
Autoridades avaliam que a estratégia de Vorcaro pode estar ligada a uma tentativa de ganhar tempo. A leitura entre integrantes da investigação é que o ex-banqueiro estaria aguardando sinais do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre uma eventual flexibilização das medidas impostas contra ele e seus familiares.
O tema ganha relevância em uma semana em que o Supremo deve retomar o julgamento sobre a manutenção da prisão de Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro. A decisão da Corte é acompanhada de perto pela defesa e pelas autoridades envolvidas no caso.
Apesar da nova rejeição, a recusa da PF não impede que Vorcaro apresente outra proposta de colaboração no futuro. Pela legislação, investigados podem voltar às autoridades com novos termos caso tenham informações consideradas relevantes para o avanço das apurações.
Na prática, porém, integrantes da PF avaliam que a insistência em propostas sem elementos inéditos tende a ter pouco efeito sobre a situação do ex-banqueiro. Um membro da corporação afirmou que “ficar nesse vai e vem” não deve contribuir para melhorar o quadro enfrentado por Vorcaro.
A Procuradoria-Geral da República também estaria insatisfeita com os novos termos apresentados pelo dono do Banco Master. O órgão, contudo, tem adotado postura distinta da PF: em vez de recusar formalmente a delação, mantém as negociações abertas na expectativa de que a proposta seja aprimorada.
Fonte: Brasil 247 com informações da Folha de S. Paulo
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