O ex-presidente Jair Bolsonaro na garagem de sua casa em Brasília. Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo
Pelo menos três médicos da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) afirmam que ainda não receberam pelos plantões realizados entre janeiro e março deste ano para atender o ex-presidente Jair Bolsonaro no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha. Os profissionais foram convocados após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou assistência médica permanente ao ex-presidente durante o período em que esteve preso.
Os atendimentos ocorreram por meio do modelo Trabalho por Período Definido (TPD), mecanismo utilizado pela secretaria para suprir necessidades de pessoal fora da jornada regular dos servidores. Segundo os médicos, os primeiros pagamentos deveriam ter sido efetuados em fevereiro, mas os valores não foram incluídos nos contracheques.
Um dos profissionais, que preferiu não se identificar, afirmou ter realizado oito plantões de 12 e 24 horas, incluindo períodos noturnos e fins de semana, e calcula ter cerca de R$ 15 mil a receber.
“Eles informaram que o plantão seria no formato TPD, mas neste formato a gente tem que bater ponto na SES mesmo. A gente tem que bater o ponto, entrar no sistema, enfim, tem que fazer essa parte, obviamente, para comprovar que está lá. E lá no Batalhão não tinha como, porque a gente assinava. Tinha um caderno em que a gente assinava a passagem de plantão com o ex-presidente”, relatou.
De acordo com os servidores, após o calote, a Subsecretaria de Gestão de Pessoas orientou que as folhas de ponto fossem protocoladas no Sistema Eletrônico de Informações (SEI). Os médicos afirmam que seguiram todas as orientações recebidas, mas continuam sem receber pelos serviços prestados.

Posteriormente, segundo os profissionais, a SES-DF informou que o procedimento havia sido realizado de forma incorreta. Um dos médicos contestou a justificativa:
“Não temos nada a ver com o erro. A gente só foi trabalhar porque eles falaram que iam pagar como TPD; se fosse só por banco de horas, ninguém iria. Eles nunca falaram nada em relação a isso aí, que se tinha… se estava de forma certa ou não, sendo que a gente confiava porque era eles que falavam com a gente em um número da SES”.
Os atendimentos prestados à equipe médica foram citados em despacho de Moraes que descrevia a rotina de Bolsonaro durante a prisão. Segundo os relatos, os profissionais acompanhavam exclusivamente o ex-presidente e realizavam avaliações ao longo do dia e também durante a noite.
“A gente atendia ele pelo menos três vezes por dia e até durante a noite, enquanto ele dormia. Inclusive, a gente caminhava com ele por medo de ele cair”, contou um dos médicos. Os plantões foram encerrados em 26 de março, quando Moraes concedeu prisão domiciliar a Bolsonaro.
Fonte: DCM
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