Senador petista, alvo da Operação Compliance Zero, enfrenta pressão no entorno do Planalto para deixar a liderança do governo no Senado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Jaques Wagner (PT-BA) devem ter uma reunião decisiva nesta quarta-feira, em Brasília, em meio à avaliação de aliados do governo de que a permanência do parlamentar baiano na liderança do governo no Senado se tornou praticamente insustentável.
Integrantes do entorno presidencial avaliam que Wagner não apresentou esclarecimentos consistentes sobre a operação da Polícia Federal da qual foi alvo na semana passada. A leitura no Planalto é que sua continuidade em um posto estratégico pode ampliar o desgaste político do governo e afetar a campanha à reeleição de Lula.
◉ Pressão por saída cresce no Planalto
Jaques Wagner foi um dos alvos da 9ª fase da Operação Compliance Zero. De acordo com as investigações citadas pela revista, ele teria atuado para beneficiar o Banco Master em troca de vantagens indevidas.
No Palácio do Planalto, uma ala defende que a conversa desta quarta-feira sele a saída do senador da liderança do governo no Senado. A avaliação é que a demora em retirá-lo de cena já pode produzir impactos pontuais em pesquisas futuras, ampliando o risco político para o presidente.
◉ Lula reconhece situação delicada
A interlocutores, Lula reconheceu que a situação de Wagner é bastante delicada, segundo reporta a revista Veja. A relação entre os dois pesa na decisão: o senador baiano é amigo pessoal do presidente há décadas e foi um aliado de primeira hora em momentos decisivos da trajetória política do petista.
Nos últimos dias, fontes próximas ao líder do governo admitem que ele está aberto a deixar a função, desde que ouça do próprio Lula que não há mais condições políticas para permanecer no cargo.
◉ Saída exige cálculo político
O principal desafio para Lula e Wagner é construir uma saída que não seja interpretada como abandono de um aliado histórico. No Planalto, há preocupação em evitar que o afastamento do senador pareça uma ruptura política ou um gesto de condenação prévia.
Do lado de Wagner, o temor é que, dependendo dos termos do desligamento, sua saída da liderança seja lida como uma espécie de confissão de culpa. Esse cenário poderia comprometer sua tentativa de reeleição ao Senado.
◉ Cargo estratégico aumenta desgaste
A liderança do governo no Senado é uma das funções mais relevantes da articulação política do Executivo. O ocupante do posto atua diretamente na negociação de projetos prioritários, na interlocução com bancadas e na defesa da agenda do Planalto.
Por isso, a crise envolvendo Wagner ganhou peso adicional. Para aliados de Lula, manter no cargo um senador sob investigação em um caso de grande repercussão envolvendo o Banco Master pode prolongar o desgaste e oferecer munição à oposição em meio ao ambiente pré-eleitoral.
Fonte: Brasil 247
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