Controlador do Banco Pleno, Augusto Lima foi sócio de Daniel Vorcaro e teve trajetória ligada ao Banco Master
Augusto Lima, controlador do Banco Pleno e ex-sócio de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, é alvo de uma operação da Polícia Federal nesta quinta-feira (18). O empresário ganhou notoriedade no mercado financeiro por sua atuação em negócios ligados a crédito consignado, por sua passagem pelo Banco Master e por conexões políticas na Bahia, informa o G1.
Augusto Lima controla o Banco Pleno desde julho de 2025. Antes disso, foi sócio de Daniel Vorcaro e CEO do Banco Master, instituição envolvida em apurações sobre fraudes. Sua trajetória também inclui negócios vinculados a benefícios para servidores públicos e expansão de produtos financeiros para aposentados e pensionistas.
◎ Quem é Augusto Lima
Augusto Lima passou a ter maior projeção após comprar a rede de supermercados Cesta do Povo durante a privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), na Bahia. Com a operação, ele também adquiriu o Credcesta, cartão de benefícios voltado inicialmente a servidores públicos municipais e estaduais.
O Credcesta começou na Bahia e, posteriormente, teve sua atuação ampliada para todo o país em parceria com o Banco Master. De acordo com requerimento da CPMI do INSS que pediu a quebra de sigilo bancário de Lima, a expansão transformou o cartão em um produto de crédito consignado negociado em carteiras com fundos de investimento e outras instituições financeiras.
Ainda conforme o documento citado na apuração, parte relevante dos créditos oferecidos a aposentados e pensionistas não teria sido informada às autoridades ou não contaria com estrutura e recursos suficientes para operar dentro das regras exigidas.
◎ Relação com Banco Master e Daniel Vorcaro
Lima também teve papel relevante no Banco Master, instituição controlada por Daniel Vorcaro. Além de ex-sócio de Vorcaro, ele ocupou o cargo de CEO do banco e, em 2025, adquiriu o controle do Banco Pleno. A autorização do Banco Central para a operação foi concedida em julho do ano passado.
◎ Banco Central decreta liquidação do Banco Pleno
A liquidação extrajudicial do Banco Pleno e da Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM) foi decretada pelo Banco Central em fevereiro deste ano. Segundo o órgão, o conglomerado tinha participação pequena no sistema financeiro brasileiro.
Até setembro do ano passado, o grupo concentrava cerca de 0,04% de todos os ativos do setor, que somavam mais de R$ 18 trilhões. O percentual equivalia a aproximadamente R$ 7,6 bilhões. Nas captações, a participação era de 0,05% de um total superior a R$ 13 trilhões, o equivalente a cerca de R$ 6,5 bilhões.
Os ativos representam tudo o que uma instituição financeira possui ou tem a receber, como empréstimos e investimentos. Já as captações correspondem aos recursos recebidos de clientes e investidores, por meio de depósitos, CDBs e outros produtos.
O Banco Central informou que a liquidação foi adotada após o agravamento da situação econômico-financeira do Banco Pleno, que passou a enfrentar dificuldades para cumprir obrigações diárias. A autoridade monetária também apontou descumprimento de normas e de determinações do próprio regulador.
“A liquidação extrajudicial foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da situação de liquidez, bem como por infringência às normas que disciplinam a sua atividade e inobservância das determinações do Banco Central do Brasil”, afirmou o BC.
A liquidação extrajudicial ocorre quando o Banco Central encerra as atividades de uma instituição financeira sem condições de continuar operando. Nessa situação, um liquidante assume o controle, conduz o encerramento das operações, vende bens e organiza o pagamento de credores conforme a ordem prevista em lei, até a extinção da instituição.
Fonte: Brasil 247 com informações do G1
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