terça-feira, 9 de junho de 2026

Decisão de Nunes Marques que esconde queda de Flávio em pesquisa é julgada hoje no TSE


           Nunes Marques, presidente do STF. Foto: Gustavo Moreno/STF

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deve julgar nesta terça-feira (9) se mantém a decisão individual do ministro Kassio Nunes Marques, presidente da Corte, que determinou a suspensão da divulgação de uma pesquisa do Instituto AtlasIntel sobre a disputa presidencial de 2026. O levantamento, divulgado em maio, apontou queda de cinco pontos nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A decisão foi tomada na segunda-feira (8), após uma representação do PL, partido de Flávio. A legenda questionou a metodologia do levantamento e afirmou que o questionário teria sido estruturado para induzir respostas negativas sobre o senador.

A pesquisa foi divulgada depois do vazamento de um áudio em que Flávio pede dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para um filme sobre Jair Bolsonaro.

Indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) por Jair Bolsonaro, Nunes Marques determinou que a AtlasIntel retire o conteúdo de seus canais oficiais e não faça nova divulgação, impulsionamento ou republicação até nova análise do caso pelo TSE. Em nota, o instituto afirmou que respeita a decisão e que está fornecendo informações sobre a metodologia usada no estudo.

“A situação será devidamente esclarecida a partir da análise técnica dos fatos e da metodologia empregada e confiamos no colegiado do TSE para afirmar a robustez técnica e a legalidade do estudo”, disse a AtlasIntel.

Além de Nunes Marques, votam no caso os ministros André Mendonça, Dias Toffoli, Antonio Carlos Ferreira, Ricardo Villas Bôas Cueva, Floriano Azevedo Marques Neto e Estela Aranha. Toffoli tem se declarado suspeito em processos ligados ao Banco Master no STF, mas a indicação é de que participe da análise da ação no TSE.

O julgamento é visto nos bastidores como uma sinalização sobre a atuação da nova composição da Corte em casos sensíveis nas eleições. Há expectativa de que a gestão de Nunes Marques no comando da Justiça Eleitoral adote perfil mais discreto e menos intervencionista na disputa.

Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro. Foto: reprodução
Internamente, segundo o g1, ministros apontaram ressalvas à decisão individual, já que a pesquisa foi divulgada em maio e não haveria urgência para uma medida monocrática neste momento.

Na representação, o PL afirmou que, das 49 perguntas do levantamento, 8 tratavam diretamente do Banco Master e foram apresentadas em sequência. Para o partido, essa ordem poderia influenciar a percepção dos entrevistados, em vez de apenas medir a opinião deles. A legenda também sustentou que o áudio vazado não poderia ser usado na pesquisa por não ter prova de autenticidade.

O instituto entrevistou 5.032 eleitores entre 13 e 18 de maio. A margem de erro é de 1 ponto percentual, com nível de confiança de 95%.

Segundo o PL, o questionário teria seguido uma progressão envolvendo medo eleitoral, comparação entre Lula e Flávio, fraude financeira, Banco Master, Daniel Vorcaro, conversas vazadas, possível envolvimento direto, impacto sobre voto, enfraquecimento da candidatura e retirada da candidatura.

Na decisão, Nunes Marques afirmou que o caso não trata apenas de divergência metodológica. “Essa cadeia produz contexto, não mera medição. A pesquisa, da maneira heterodoxa em que formulada, pode criar, indevidamente, manchetes e narrativas de campanha baseadas em resultados obtidos após estímulo negativo. Isso desvirtua a função informativa da pesquisa eleitoral e permite que o instrumento de medição se converta em meio indireto de propaganda negativa”, escreveu.

O presidente do TSE também disse que “a controvérsia suscitada nos autos não se limita, portanto, à mera discordância quanto às escolhas metodológicas da representada, mas envolve alegação objetiva de possível utilização do questionário como mecanismo de indução do entrevistado”. Ele citou ainda que outras 27 pesquisas da AtlasIntel não apresentaram perguntas semelhantes nem veicularam áudio.

Fonte: DCM com informações do G1

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