quinta-feira, 7 de maio de 2026

Vorcaro pagou cartão de crédito de Ciro Nogueira em viagem com a namorada

Decisão do ministro do STF menciona conversa entre ex-banqueiro e assessor sobre pagamento de gastos do senador e da namorada

     Ciro Nogueira (Foto: Isac Nóbrega/PR)

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça incluiu em sua decisão um diálogo entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e um assessor como indício de que despesas pessoais do senador Ciro Nogueira (PP-PI) teriam sido custeadas durante viagens internacionais.

Ciro Nogueira foi alvo, nesta quinta-feira (7), de uma operação de busca e apreensão autorizada por Mendonça. A Polícia Federal investiga a suspeita de que Vorcaro teria pago cerca de R$ 500 mil mensais ao parlamentar em troca de atuação política em defesa de interesses privados do antigo controlador do Banco Master em Brasília.

Na decisão, o ministro cita uma troca de mensagens entre Vorcaro e Léo Serrano, que trabalhava com o ex-banqueiro. O conteúdo foi anexado pela PF como um dos elementos que apontariam o custeio de despesas pessoais do senador e de sua acompanhante durante viagens ao exterior.

Na conversa reproduzida na decisão, Serrano pergunta: “Só uma pergunta rápida... é pros meninos continuarem pagando conta dos restaurante do Ciro/Flávia até sábado?”

Vorcaro responde: “Sim. Depois leva meu cartão para Sr. Barths”

Segundo o despacho de André Mendonça, o diálogo foi incluído “a título ilustrativo” para demonstrar os indícios reunidos pela Polícia Federal sobre o suposto pagamento de despesas privadas do senador.

A decisão também menciona que, de acordo com a investigação, as vantagens teriam incluído hospedagens no hotel Park Hyatt, em Nova York, além de despesas em restaurantes de alto padrão e outros gastos atribuídos ao parlamentar e à acompanhante.

“Segundo a representação, tais vantagens teriam compreendido hospedagens no Park Hyatt New York, despesas em restaurantes de elevado padrão e outros gastos atribuídos ao parlamentar e à sua acompanhante”, afirma o texto da decisão.

O ministro ainda destacou a existência de referências ao fornecimento de cartão de crédito destinado à cobertura de despesas pessoais. Para Mendonça, os elementos reunidos até agora justificam o aprofundamento das investigações e a adoção de medidas cautelares.

“Há ainda referência à disponibilização de cartão destinado à cobertura de despesas pessoais. Considerados em conjunto e em juízo de cognição sumária, próprio desta fase, tais elementos reforçam a necessidade de aprofundamento probatório e de cautelas a serem adotadas para que provas não sejam ocultadas e ajustes não sejam realizados entre os investigados”, conclui a decisão.

Fonte: Brasil 247

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