quinta-feira, 12 de março de 2026

O novo ataque transfóbico de Nikolas Ferreira contra Erika Hilton


      Erika Hilton e Nikolas Ferreira durante ataque transfóbico. Foto: reprodução

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) voltou a atacar a deputada Erika Hilton (PSOL-SP) nas redes sociais após a parlamentar ser eleita presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados do Brasil. Na noite de quarta-feira (11), o bolsonarista publicou um vídeo com trecho de um discurso feito em 2023, quando apareceu no plenário usando uma peruca no Dia Internacional das Mulheres e fez declarações contra mulheres trans.

Na publicação, o deputado reproduziu parte do pronunciamento e comentou a eleição da colega de Parlamento. “Eu avisei”, escreveu Nikolas ao compartilhar o vídeo sobre a escolha de Erika Hilton para comandar a comissão.

No discurso citado pelo próprio parlamentar, ele aparece usando uma peruca e se apresentando como “Nicole”, em referência às mulheres trans. Na ocasião, afirmou que “as mulheres estão perdendo o seu espaço para homens que se sentem mulheres”.



O episódio já havia gerado consequências judiciais. Nikolas Ferreira foi condenado pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios a pagar R$ 200 mil por dano moral coletivo. A decisão ocorreu em ação movida pela Aliança Nacional LGBTI+ e pela Associação Brasileira de Famílias Homotransafetivas. O processo ainda tramita em segunda instância.

A nova publicação ocorre no mesmo dia em que Erika Hilton foi eleita para presidir a Comissão da Mulher da Câmara. Durante a votação e após o resultado, a parlamentar também recebeu críticas de setores da extrema direita, incluindo a senadora Damares Alves (Republicanos-DF).

Ao assumir o cargo, Erika afirmou que pretende priorizar o enfrentamento à violência contra mulheres e ao crescimento de movimentos misóginos no país. Em seu discurso, ela criticou ataques relacionados à identidade de gênero e citou o contexto de aumento da violência contra mulheres no Brasil.

“Estamos em uma onda de feminicídios, a misoginia não para de crescer, o Judiciário está relativizando o estupro de vulnerável e a pedofilia, entre tantos outros. Mas o problema, para a direita e para algumas autointituladas ‘feministas’, sou eu, uma mulher trans, assumir a presidência da Comissão da Mulher”.




Em outro trecho, a deputada afirmou que a participação de mulheres trans nas discussões sobre direitos não pode mais ser questionada. “Queira ou não queira, mulheres transexuais e travestis não serão abandonadas nessa Comissão, e não me importa a vontade de quem quer que seja […] se antes espezinhavam nossos direitos, se antes esmagavam a nossa dignidade sem que nós pudéssemos estar aqui de igual para igual, defendendo nosso lugar no mundo, este tempo acabou”.

Após os ataques nas redes sociais, Erika Hilton reagiu afirmando que não se preocupa com as críticas. “Não estou nem um pouco preocupada se o esgoto da sociedade não gostou. A opinião de transfóbicos e imbeCIS é a última coisa que me importa (…) Podem espernear. Podem latir”.

Fonte: DCM

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