Maurício Camisotti está preso desde setembro e é considerado dos principais operadores das irregularidades investigadas na Operação Sem Desconto
O empresário Maurício Camisotti, preso desde setembro do ano passado, negocia um acordo de delação premiada com a Polícia Federal no âmbito das investigações sobre fraudes no INSS. Apontado como possível beneficiário final do esquema, ele é considerado um dos principais operadores das irregularidades investigadas na Operação Sem Desconto.
As tratativas, segundo a Folha de São Paulo, envolvem os advogados Átila Machado e Celso Vilardi, conhecidos por atuarem em acordos de colaboração premiada em outros casos. Procurados, eles não se manifestaram.
◉ Esquema de descontos ilegais
Camisotti foi preso na mesma fase da operação que também levou à detenção de Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. As investigações apuram um esquema de descontos indevidos aplicados sobre aposentadorias e pensões sem autorização dos beneficiários.
O caso ganhou visibilidade em abril do ano passado, quando a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram a primeira fase da operação. A suspeita é de que entidades responsáveis pelos descontos e empresas prestadoras de serviços atuassem como fachada para operações de lavagem de dinheiro.
◉ Movimentações financeiras sob suspeita
Empresas ligadas a Camisotti teriam recebido transferências da Ambec (Associação de Aposentados Mutualista para Benefícios Coletivos), uma das principais entidades investigadas. Entre 2023 e 2025, o INSS repassou quase R$ 400 milhões à associação.
Relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), elaborados a pedido da CPI do Congresso sobre fraudes no INSS, indicam movimentações consideradas atípicas. Segundo os documentos, o empresário realizou saques em dinheiro que somam R$ 7,2 milhões, distribuídos em 11 retiradas.
No total, entre 2018 e 2025, foram registrados 17 saques, incluindo uma operação de R$ 3 milhões. Também houve a retirada de R$ 285 mil de uma conta vinculada a Camisotti, embora o relatório não identifique com precisão o responsável pelo saque. As transações levantaram suspeitas de tentativa de driblar mecanismos de fiscalização do sistema financeiro.
À época de sua prisão, a defesa do empresário afirmou que ele nunca participou de irregularidades relacionadas ao INSS.
◉ Novos desdobramentos no STF
As investigações seguem em andamento e tiveram novos desdobramentos nesta semana.. Sob relatoria do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), foram determinadas as prisões de outros dois suspeitos e o uso de tornozeleira eletrônica pela deputada Gorete Pereira (MDB-CE), que nega qualquer irregularidade.
Fonte: Brasil 247 com informações da Folha de S. Paulo
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