terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

VÍDEO – Escola cívico-militar em SP têm erros de português no 1° dia: “Descançar” e “Cotinêcia”


     Militares em escola cívico-militar. Foto: reprodução

O início do ano letivo na rede estadual do Vale do Paraíba e região foi marcado por uma amostra pública de falta de letramento dos militares que implantarão o modelo cívico-militar em parte das escolas. As aulas começaram nesta segunda-feira (2) e, em Caçapava, a Escola Estadual Prof. Luciana Damas Bezerra chamou atenção após a identificação de erros de ortografia durante uma atividade conduzida por monitores militares aposentados.

A situação ocorreu em uma aula de monitoria ligada à chamada ordem unida, conjunto de comandos e movimentos padronizados tradicionalmente utilizados pela Polícia Militar. Durante a explicação, termos básicos apresentados aos alunos apareceram grafados de forma incorreta no quadro.

As palavras “descansar” e “continência” foram escritas, respectivamente, com “ç” no final e sem a letra “n” antes do “c”: “descançar” e “continêcia”.

O episódio foi registrado pela TV Vanguarda, afiliada da TV Globo, que acompanhava o primeiro dia de aula na unidade. As imagens mostram que, após algum tempo, o tenente responsável pela atividade foi chamado à porta da sala, conversou com outra pessoa e, em seguida, retornou para corrigir as palavras diante dos estudantes.


A escola integra o grupo de unidades que passaram a adotar o modelo cívico-militar na rede estadual paulista, política implementada pelo governo de São Paulo e que vem gerando críticas de entidades educacionais e sindicais. A proposta prevê a atuação de militares da reserva em funções de monitoria e apoio disciplinar, enquanto o conteúdo pedagógico permanece sob responsabilidade dos professores da rede.

Em nota, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo informou que todo o conteúdo pedagógico é elaborado e aplicado pelos docentes da própria escola. Segundo a pasta, neste início de implementação do programa, os monitores atuam exclusivamente com orientações relacionadas à disciplina, à organização do ambiente escolar e à promoção de valores cívicos.

A secretaria também afirmou que todos os monitores do Programa Escola Cívico-Militar passarão por avaliações semestrais de desempenho, que irão verificar a adaptação e a permanência em cada unidade.

Já a Apeoesp divulgou nota repudiando a implantação das escolas cívico-militares no estado. A entidade classificou o modelo como “inconstitucional e autoritário” e criticou a destinação de recursos da Educação para a contratação de militares aposentados.

O sindicato também afirmou que a adoção do programa ocorreu sem consulta prévia à comunidade escolar, o que, segundo a Apeoesp, fere princípios democráticos da gestão educacional.

Fonte: DCM

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