domingo, 1 de fevereiro de 2026

Pré-candidato a presidente, Flávio recicla promessas não cumpridas de Bolsonaro

Senador tenta reproduzir estratégia eleitoral do pai, aposta em redes sociais e símbolos conservadores, mas enfrenta alta rejeição e limites digitais

           Flávio Bolsonaro - 19 de dezembro de 2025 (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) articula sua pré-candidatura à Presidência da República com base em uma estratégia inspirada diretamente na trajetória eleitoral de seu pai, Jair Bolsonaro (PL). O plano envolve a recuperação de métodos de campanha utilizados com sucesso em 2018 e parcialmente reaproveitados em 2022, além do resgate de promessas feitas naquele primeiro pleito e que não foram cumpridas durante o governo. A tentativa, no entanto, esbarra em obstáculos como alcance mais restrito nas redes sociais, rejeição ainda elevada e maior vigilância da Justiça Eleitoral sobre o ambiente digital, informa o jornal O Globo.

A chamada reaplicação do “manual Bolsonaro” inclui comunicação direta com apoiadores pelas plataformas digitais, estímulo a doações pulverizadas, mobilização de rua e uso recorrente de símbolos voltados ao eleitorado conservador e religioso. Aliados afirmam que a diferença em relação a campanhas anteriores estaria na busca por maior profissionalização e na correção de falhas identificadas nos últimos ciclos eleitorais, como problemas de coordenação, ausência de foco no Nordeste e fragilidades no discurso econômico.

Em 2018, Jair Bolsonaro construiu sua campanha presidencial com pouco tempo de televisão e forte presença nas redes sociais, especialmente no WhatsApp, em um contexto de baixa regulação das plataformas e rejeição à política tradicional. Já em 2022, no exercício do cargo, o bolsonarismo adaptou sua atuação, deslocando parte da mobilização para o Telegram, intensificando transmissões ao vivo e apostando em atos de rua, como as motociatas. É esse repertório que Flávio busca reencenar, com a ampliação das lives no YouTube como principal canal de diálogo direto com sua base.

Nos bastidores, a estratégia é tratada como uma atualização do modelo adotado pelo ex-presidente. O senador afirmou que pretende discutir os próximos passos da pré-campanha com Rogério Marinho, senador e coordenador do projeto eleitoral, ao retornar de viagem. “Quando voltar de viagem, vou sentar com Rogério Marinho (senador e coordenador da pré-campanha) para bolar as estratégias daqui para frente. Nosso primeiro evento deve ser em São Paulo”, disse Flávio ao Globo.

Durante o giro internacional, o parlamentar passou por Israel, onde foi batizado no rio Jordão e participou da Conferência Internacional de Combate ao Antissemitismo, evento que contou com a presença do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Segundo aliados, a viagem teve como objetivo reforçar a identidade religiosa do pré-candidato, dialogar com o eleitorado evangélico e sinalizar alinhamento com pautas da direita no cenário internacional.

Paralelamente, Flávio tem resgatado promessas feitas por Jair Bolsonaro em 2018 que não se concretizaram ao longo do mandato presidencial. Entre elas estão a transferência da embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, proposta que provocou reações diplomáticas, a redução da maioridade penal e a ampliação do chamado “excludente de ilicitude”.

Apesar do esforço para ganhar visibilidade e ritmo político, aliados reconhecem entraves relevantes. Um deles é a estrutura digital. Enquanto Jair Bolsonaro mantém cerca de 27 milhões de seguidores no Instagram, Flávio reúne pouco mais de 8 milhões. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por sua vez, soma 14,4 milhões. A avaliação interna é que a força orgânica do bolsonarismo, isoladamente, não sustenta uma campanha nacional competitiva.

Outro fator de preocupação é o endurecimento da fiscalização eleitoral. Na última eleição presidencial, a Justiça Eleitoral determinou a retirada de diversos conteúdos das redes sociais e, agora, discute normas para o pleito de 2026, incluindo diretrizes específicas para o uso de inteligência artificial. Além disso, Flávio enfrenta dificuldades para montar palanques estaduais robustos e busca um marqueteiro capaz de reduzir sua rejeição.

Pesquisa Genial/Quaest divulgada neste mês aponta que o percentual de eleitores que afirmam não votar nele de forma alguma caiu de 60% para 55%. Ainda assim, o índice permanece acima do registrado pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), apontado por setores da direita como uma alternativa mais competitiva.

Rogério Marinho sustenta que a campanha pretende capitalizar a experiência recente do bolsonarismo. “Nós vamos potencializar os acertos, que foram muitos, e tentar não repetir os erros, por menores que tenham sido. A eleição de 2022 foi decidida por menos de dois pontos percentuais. Temos um laboratório recente”, afirmou o senador.

Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo

Nenhum comentário:

Postar um comentário