A aliados, o presidente nega haver uma “crise” de imagem do governo por causa do desfile da Acadêmicos de Niterói
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) demonstra irritação e desconforto com a repercussão envolvendo a homenagem recebida da escola de samba Acadêmicos de Niterói, no Carnaval do Rio de Janeiro, e rejeita a narrativa de que o episódio teria provocado uma crise para o governo, relata Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo.
Ainda antes do desfile, começaram a circular reportagens indicando que ministros do Palácio do Planalto e lideranças do PT estariam preocupados com possíveis efeitos políticos e até jurídicos da homenagem. Após o Carnaval, informações passaram a apontar que integrantes do governo estariam alarmados com o impacto do desfile.
Aliados do presidente teriam recebido pesquisas mostrando que a repercussão imediata na internet teria sido negativa para Lula, e que levantamentos aos quais o Planalto teria tido acesso indicariam que o episódio foi especialmente prejudicial à imagem do governo junto ao público evangélico. Diante disso, o Palácio teria atuado para conter a suposta crise.
Lula passou a se incomodar com o que interpreta como uma tentativa de setores da própria administração e do PT de atribuir à escola de samba uma responsabilidade que ela não teria: eventuais oscilações negativas na avaliação do governo. Ainda segundo os relatos, o presidente afirmou a interlocutores que se sentiu emocionado e extremamente grato à agremiação pela homenagem recebida.
Na avaliação do presidente, os sambistas devem ser reconhecidos e admirados pela coragem de prestar homenagem em um momento de polarização política, mesmo diante do risco de reações adversas. Lula ainda critica o fato de integrantes do próprio governo alimentarem uma crise que, em sua visão, não existe, transformando um episódio positivo — que ele considera histórico — em um peso político para o Planalto.
Auxiliares próximos também sustentam que o presidente teve um desempenho positivo durante o período carnavalesco. Um interlocutor afirmou: “Ele passou por Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro sem ouvir vaias. Ao contrário, em muitos momentos foi aplaudido e ovacionado".
O mesmo interlocutor ressaltou ainda que, em Pernambuco, Lula foi “disputado” por dois nomes apontados como candidatos ao governo estadual: João Campos (PSB-PE) e Raquel Lyra (PSD-PE). Já no Rio de Janeiro, o presidente teria sido reverenciado pelo prefeito Eduardo Paes (PSD-RJ), que vinha ensaiando aproximação com bolsonaristas do estado nos últimos meses mirando a disputa pelo governo estadual em outubro.
O governo também adotou medidas para evitar qualquer questionamento jurídico relacionado ao desfile. Nenhum ministro participou da apresentação na avenida, e a primeira-dama, Janja da Silva, optou por não desfilar para evitar eventuais contestações na Justiça Eleitoral por eventual propaganda eleitoral antecipada.
Em resposta, o ministro da Secretaria de Comunicação do Governo, Sidônio Palmeira, declarou que “o Palácio se preocupa com questões do governo” e que “não há ninguém criticando a escola nem a homenagem” entre os ministros palacianos. Ele acrescentou ainda “estranhar que pessoas que não são do Palácio falem em nome do Palácio”.
Fonte: Brasil 247 com informações da Folha de S. Paulo
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