quinta-feira, 2 de julho de 2026

Planilha do bicheiro Adilsinho aponta pagamento de R$ 3,2 milhões a Cláudio Castro

Polícia Federal investiga lista atribuída ao bicheiro Adilsinho com suposta doação milionária ao ex-governador do Rio em 2022

Cláudio Castro                               -                        Crédito: Lula Marques/Agência Brasil

A Polícia Federal investiga uma lista atribuída ao bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, que menciona uma suposta doação de R$ 3,2 milhões ao então candidato Cláudio Castro (PL), durante a campanha de 2022 ao governo do Rio de Janeiro, informa Octavio Guedes, no G1

O nome de Cláudio Castro aparece em um material que, de acordo com investigadores, reuniria registros de supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e movimentações associadas à lavagem de dinheiro. A lista também incluiria referências a agentes políticos do Rio de Janeiro, mas Castro não foi alvo da 5ª fase da Operação Unha e Carne, deflagrada nesta quinta-feira (2) pela Polícia Federal.

Castro governou o Rio de Janeiro de 2021 a 2026. Ele renunciou ao cargo um dia antes do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que determinaria sua cassação e inelegibilidade. Em 2022, o então governador disputou a reeleição.

De acordo com fontes citadas na apuração, a presença do nome de Castro e de outras pessoas na lista não resultou em mandados nesta etapa da operação porque a Polícia Federal ainda aprofunda a investigação sobre os registros encontrados.

A 5ª fase da Operação Unha e Carne mira supostos esquemas de lavagem de dinheiro atribuídos à cúpula do jogo do bicho e possíveis conexões com integrantes dos poderes Executivo e Legislativo do Rio de Janeiro. A investigação foi deflagrada no âmbito de uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), relacionada à ADPF das Favelas, para apurar vínculos entre organizações criminosas e agentes públicos.

Entre os alvos da operação está o pastor e empresário Márcio Poncio, preso preventivamente em um flat na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. Ele é investigado por suspeita de ligação com a chamada “Máfia do Cigarro”, grupo apontado pelas autoridades como responsável por um esquema de venda de cigarros falsificados em ampla escala no estado.

Além de Poncio, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, expediu mandados de prisão contra Adilsinho e contra o ex-deputado Rodrigo Bacellar. Os dois já estavam presos em razão de fases anteriores da mesma operação.

A decisão judicial também determinou o sequestro de bens e valores de até R$ 22 milhões. A medida teve como base planilhas da Operação Fumus, de 2021, que indicariam pagamentos indevidos e “mesadas” destinadas a pelo menos 20 políticos do Rio de Janeiro.

A Polícia Federal aponta Adilsinho como líder da chamada “Máfia do Cigarro”, esquema suspeito de controlar a venda de cigarros falsificados em quase metade dos municípios fluminenses. As investigações estimam que a atividade teria causado prejuízos bilionários em sonegação fiscal.

Em fases anteriores, a Operação Unha e Carne já investigou o vazamento de informações sigilosas para a facção Comando Vermelho, o escândalo envolvendo a Fundação Ceperj e suspeitas de fraudes em contratações na Secretaria Estadual de Educação.

A defesa de Márcio Poncio afirmou não ter tido acesso aos autos do processo. Já a defesa de Adilsinho negou o pagamento de vantagens indevidas a políticos.

Fonte: Brasil 247 com informações do G1

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