quinta-feira, 2 de julho de 2026

PF vê uso de verba da Câmara em carro da filha de Sóstenes

Investigação da PF aponta indícios de que aluguel do veículo foi pago com verba do mandato do líder do PL na Câmara

Brasília (DF) – 19-12-2024 – Deputado Sóstenes Cavalcante durante coletiva a imprensa no salão verde da Câmara dos DeputadosCrédito: Lula Marques/Agência Brasil

A Polícia Federal (PF) investiga se o líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), utilizou recursos da cota parlamentar para custear o aluguel de um veículo que seria usado por sua filha. Segundo o jornal O Globo, a suspeita consta de um relatório encaminhado pela corporação ao Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da Operação Rent a Car, que apura um suposto esquema de desvio de recursos públicos.

A nova fase da operação foi deflagrada na quarta-feira (1º), tendo o parlamentar entre os alvos das diligências. Além da suspeita relacionada ao aluguel do automóvel, a Polícia Federal também investiga a origem de R$ 468,7 mil em espécie apreendidos com o deputado em uma fase anterior da operação.

◎ Relatório aponta indícios sobre uso da cota parlamentar

De acordo com o relatório da PF, em março de 2024 um assessor de Sóstenes ofereceu ao deputado um veículo para locação. O automóvel, um Toyota Corolla Cross, foi entregue na residência do parlamentar.

Após analisar registros obtidos durante a investigação, a Polícia Federal concluiu que há indícios de que o veículo era utilizado pela filha de Sóstenes. Para os investigadores, existem elementos que apontam que o aluguel foi custeado com recursos da cota parlamentar destinada ao exercício do mandato.

Procurado pela reportagem, o deputado não comentou especificamente a suspeita de que o veículo pago com recursos públicos teria sido utilizado por sua filha.

◎ PF também apura origem de R$ 468,7 mil em espécie

Outra frente da investigação diz respeito aos R$ 468,7 mil em dinheiro vivo apreendidos com o parlamentar em dezembro do ano passado.

Na ocasião, Sóstenes afirmou que os valores eram provenientes da venda de um imóvel localizado em Ituiutaba (MG). A Polícia Federal, porém, afirma ter identificado contradições entre essa versão e os elementos reunidos durante as investigações.

Segundo o relatório, duas empresas do setor da construção civil e dois irmãos estariam ligados ao dinheiro apreendido. A corporação informou que chegou ao grupo investigado após analisar etiquetas bancárias encontradas junto aos valores em espécie.

◎ Investigação identifica movimentações financeiras

Ainda conforme a Polícia Federal, as apurações identificaram uma “complexa movimentação financeira” envolvendo as empresas investigadas, com recebimento de recursos públicos e sucessivos saques em dinheiro vivo.

Esses elementos passaram a integrar o conjunto de provas analisadas na Operação Rent a Car, que busca esclarecer a eventual existência de um esquema de desvio de recursos públicos.

◎ Deputado nega irregularidades

Em entrevista, Sóstenes Cavalcante negou qualquer irregularidade e reiterou que o dinheiro apreendido teve origem na venda do imóvel em Minas Gerais.

“Uma dessas pessoas (alvos da operação) foi o comprador do imóvel (a que ele atribui o dinheiro em espécie). Nenhum dos alvos é meu advogado. Podem fazer operação à vontade, quem não deve não teme”, afirmou o parlamentar.

Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo

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