Fabrício Queiroz, pivô do caso da rachadinha no antigo gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj, hoje ocupa um cargo de comando na segurança pública de Saquarema, na Região dos Lagos do Rio. O ex-assessor virou subsecretário de Segurança e Ordem Pública do município com apoio político de aliados bolsonaristas e do ex-prefeito Antonio Peres, dirigente local do PL. As informações são do Globo.
A nomeação ocorreu oito anos depois de o esquema de repasse de salários de assessores ter vindo à tona. A ida de Queiroz para a prefeitura foi resultado de uma articulação entre Antonio Peres e Flávio Bolsonaro, depois de uma tentativa frustrada de acomodá-lo em Campos dos Goytacazes. Na avaliação de interlocutores ouvidos pelo jornal, o posto também serviu para “tranquilizar” Queiroz, que em 2022 reclamava do abandono da família Bolsonaro após fracassar na disputa por uma vaga de deputado estadual.
Em Saquarema, Queiroz não ocupa um cargo decorativo. Ele supervisiona a Guarda Municipal, circula em agendas oficiais e já defendeu armar a corporação. Em março, apareceu ao lado de Douglas Ruas e Cláudio Castro na inauguração de uma base do Segurança Presente. Em 2024, ainda recebeu apoio público de Flávio Bolsonaro em sua campanha para vereador, quando o senador o apresentou como “candidato do Bolsonaro”. Queiroz não se elegeu e terminou como primeiro suplente.

O passado que o acompanha é concreto. Na denúncia do Ministério Público do Rio, Queiroz foi apontado como operador de um esquema que recolhia parte dos salários de assessores do gabinete de Flávio na Alerj. Os promotores afirmaram que ele recebeu R$ 2,079 milhões em depósitos feitos por assessores entre 2007 e 2018. O MP também anexou mensagens nas quais Queiroz dizia que precisava “prestar contas” a superiores e apontou um depósito em dinheiro de R$ 25 mil na conta da mulher de Flávio, além de R$ 275 mil em depósitos fracionados recebidos pelo hoje senador entre 2014 e 2018.
Apesar desse histórico, Queiroz seguiu protegido politicamente. O caso criminal acabou arquivado após a anulação de provas e uma longa disputa sobre a instância responsável pelo processo, mas a rede de apoio ao ex-assessor continuou operando. Além do cargo em Saquarema, ele também emplacou o filho, Felipe Queiroz, como assessor na Secretaria estadual de Ciência e Tecnologia em 2025. Em nota, a prefeitura afirmou que a nomeação obedeceu a “critérios técnicos” e citou os 30 anos de experiência de Queiroz na PM.
Fonte: DCM com informações do jornal O Globo
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