quinta-feira, 9 de abril de 2026

Gleisi e Lindbergh celebram condenação de Gustavo Gayer e cobram criminalização da misoginia

"Misoginia é o ódio contra a mulher, e isso leva à morte", afirma a ex-ministra. Deputado bolsonarista deve pagar indenização e se retratar

Gustavo Gayer, Gleisi Hoffmann e Lindbergh Farias (Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados | Reprodução/X/@lindberghfarias)

A ex-ministra e deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) e o também deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) se manifestaram nesta quinta-feira (9) sobre a condenação do deputado Gustavo Gayer (PL-GO), destacando a decisão judicial como um marco no enfrentamento à violência política de gênero e reforçando a necessidade de criminalização da misoginia no Brasil.

O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) condenou Gayer por declarações consideradas misóginas contra Gleisi Hoffmann, determinando o pagamento de indenização por danos morais e a obrigatoriedade de retratação pública.

O tribunal afastou a tese de imunidade parlamentar para esse caso, reconheceu “evidente violência política de gênero”, fixou indenização de R$ 10 mil para Gleisi e R$ 10 mil para Lindbergh e determinou retratação pública no prazo de até 10 dias, na mesma rede social em que as ofensas foram publicadas.

☉ Decisão reconhece violência política de gênero
O processo teve origem em manifestações feitas por Gayer em março de 2025, após a nomeação de Gleisi Hoffmann para o cargo de ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República. Na ocasião, o parlamentar publicou mensagens com teor sexual ofensivo na rede social X (antigo Twitter), direcionadas à ministra e também a Lindbergh Farias.

Em primeira instância, as declarações foram classificadas como “impropérios”, sem condenação. No entanto, ao julgar o recurso, o TJDFT reformou a decisão e concluiu que as falas ultrapassaram os limites da liberdade de expressão e do exercício do mandato parlamentar. O tribunal também afastou a imunidade parlamentar, destacando que ela não pode ser utilizada para justificar ofensas que configurem violência política de gênero.

A decisão estabelece ainda o prazo de até dez dias para que Gustavo Gayer publique retratação na mesma rede social em que fez as declarações.

☉ Gleisi critica misoginia e cobra punição
Em vídeo publicado nas redes sociais, Gleisi Hoffmann classificou a decisão como uma vitória e defendeu medidas mais duras contra esse tipo de conduta. “Ontem a gente teve uma importante vitória. O Tribunal de Justiça do Distrito Federal condenou o deputado Gustavo Gayer, do PL, bolsonarista, a pagar uma indenização e se retratar por fazer ofensas contra mim e contra Lindbergh. Ofensas misóginas, preconceituosas, machistas, desrespeitosas”, afirmou.

A ministra ressaltou a gravidade da misoginia e sua relação com a violência contra mulheres. “A misoginia tem que ser criminalizada. Misoginia é o ódio contra a mulher, desprezo, e isso leva à morte, como vários feminicídios que estamos vendo hoje em dia no Brasil”, declarou.

Ela também defendeu a continuidade da reação institucional a esse tipo de comportamento. “Vamos seguir em frente e não vamos permitir que o machismo e a misoginia continuem nesse país".

☉ Lindbergh fala em vitória política das mulheres
Lindbergh Farias destacou o caráter pedagógico da decisão judicial e alertou para a tramitação de um projeto de lei sobre o tema. “Isso é uma vitória da mulher na política. Essa condenação do Gustavo Gayer tem uma importância didática muito grande”, afirmou. “Eles estão se movimentando para impedir a votação do PL da Misoginia, que foi aprovado no Senado e está na Câmara. O Nikolas dizendo o seguinte: ‘olha, não vai votar antes das eleições’”, disse.

Segundo ele, é necessário ampliar a mobilização para garantir o avanço da proposta. “Nós temos que fazer um grande movimento, porque é muito importante. A falta de respeito dessa extrema-direita bolsonarista com as mulheres brasileiras é algo que tem que ser enfrentado".
Fonte: Brasil 247

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