quinta-feira, 2 de julho de 2026

PF investiga se aliados de Sóstenes forjaram escritura para justificar R$ 470 mil


                O deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ). Foto: Reprodução

A Polícia Federal investiga se aliados do deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) forjaram documentos ligados à venda de um imóvel para tentar justificar a origem de quase R$ 470 mil encontrados em espécie na casa do parlamentar em dezembro de 2025.

Em representação enviada ao Supremo Tribunal Federal, a PF afirma que ainda não há elementos suficientes para comprovar de forma clara a origem do dinheiro. A partir dessa avaliação, os investigadores abriram duas frentes de apuração sobre os valores apreendidos.

Uma das linhas envolve a suposta venda de um imóvel de Sóstenes em Ituiutaba, em Minas Gerais. A versão apresentada aos investigadores aponta que o bem teria sido vendido por R$ 500 mil a Thiago Ferreira de Paula em novembro de 2025.

A PF, porém, encontrou indícios de que o comprador não teria capacidade financeira compatível com a aquisição. Os investigadores também destacaram que a comunicação da venda ao cartório ocorreu apenas em 30 de dezembro de 2025, depois da apreensão do dinheiro na casa do deputado.

Dinheiro apreendido na casa do deputado Sóstenes Cavalcante. Foto: Divulgação

Para a PF, a sequência dos fatos levanta suspeita de que a documentação da venda do imóvel possa ter servido para justificar posteriormente a origem dos valores. A segunda linha de investigação apura a possível relação do dinheiro com um grupo de empresas identificado a partir de referências ao banco Sicredi encontradas junto às cédulas.

Essas empresas realizaram saques em espécie que somam mais de R$ 15 milhões, conforme a investigação. A movimentação levou os investigadores a ampliar a apuração sobre a origem dos recursos e sobre a eventual conexão entre o dinheiro apreendido e o grupo empresarial investigado.

As informações constam na decisão do ministro Flávio Dino, do STF, que autorizou nesta quarta-feira (01) a terceira fase da operação Rent a Car. A investigação apura o suposto desvio de cotas parlamentares pelos deputados Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy (PL-RJ), com uso de empresas de fachada como a Harue Locação de Veículos.

Dino autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de aliados de Sóstenes diante de indícios de “opacidade financeira” e movimentações suspeitas. O ministro também expediu mandados de busca e apreensão contra empresários e advogados supostamente ligados ao esquema; a PF tenta reconstruir o fluxo do dinheiro para verificar se os valores têm origem em desvio de verbas públicas, lavagem de dinheiro ou fontes legais.

Fonte: DCM

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