Ministra critica redução tímida dos juros e alerta para impactos na economia e no endividamento diante de cenário internacional incerto
A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), classificou como insuficiente a redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros anunciada pelo Banco Central nesta quarta-feira (18). Em publicação nas redes sociais, a ministra expressou insatisfação com a decisão e destacou os efeitos negativos da política monetária restritiva sobre a economia brasileira.
A avaliação foi feita após o Comitê de Política Monetária (Copom) reduzir a Selic de 15% para 14,75% ao ano, no primeiro corte desde maio de 2024. A manifestação de Gleisi ocorreu em postagem pública na noite de quarta-feira (18), na qual ela criticou a ausência de sinalização de novos cortes por parte da autoridade monetária.
Crítica à política de juros
Na publicação, Gleisi afirmou que a redução anunciada é insuficiente diante do cenário econômico. “Redução de apenas 0,25 na taxa Selic, sem sinalização clara de novos cortes, é decepcionante. O país já pagou um preço alto demais pela política de juros contracionista, que está inibindo o investimento e inflando a dívida pública e das famílias”, escreveu.
A ministra também associou os efeitos da taxa elevada ao aumento do endividamento e à retração dos investimentos, apontando consequências diretas para a atividade econômica.
Guerra no Oriente Médio influencia decisão
O Banco Central justificou a cautela na condução da política monetária citando o cenário internacional, especialmente a guerra no Oriente Médio. O conflito foi mencionado quatro vezes no comunicado oficial como fator de incerteza para os próximos passos da política de juros.
Segundo o Copom, o ambiente atual exige prudência: “No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”.
Gleisi Hoffmann contestou o uso das incertezas internacionais como justificativa para a manutenção de juros elevados. Na mesma publicação, afirmou: “As incertezas provocadas pela guerra não podem sustentar o prolongamento do sufoco dos juros e dos ganhos especulativos”.
Fonte: Brasil 247
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