terça-feira, 5 de maio de 2026

Lula pede que Messias permaneça no governo

Encontro entre Lula e Messias discutiu contexto político da rejeição e permanência no governo

Jorge Messias e Presidente Lula (Foto: Ton Molina/Agência SenadoFabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

O presidente Lula se reuniu na noite desta segunda-feira (4) com o advogado-geral da União, Jorge Messias, e pediu que ele permaneça no governo federal após a rejeição de sua indicação ao Supremo Tribunal Federal. O encontro ocorreu em meio às discussões no Palácio do Planalto sobre o futuro político e institucional de Messias, que havia sinalizado interesse em deixar a AGU depois da derrota no Senado.

As informações foram divulgadas pela CNN Brasil, com base em relatos de aliados de Lula e de Messias. Segundo esses relatos, o presidente afirmou ter "irrestrita confiança" no atual advogado-geral da União e combinou uma nova conversa com ele para a próxima semana, após a viagem de Lula aos Estados Unidos.

A permanência de Messias no governo passou a ser tratada como prioridade por Lula depois da votação que barrou sua chegada ao STF. Entre as alternativas em avaliação estão a continuidade no comando da AGU, uma eventual transferência para o Ministério da Justiça ou até uma nova indicação ao Supremo em outro momento político.

✱ Derrota no Senado foi discutida no encontro
Na reunião, Lula e Messias analisaram o contexto político da votação no Senado que recusou a nomeação do advogado-geral da União para a Suprema Corte. A rejeição foi considerada histórica, já que o Senado não barrava um indicado ao STF havia 132 anos.

Segundo os relatos feitos à CNN, o diagnóstico discutido entre Lula e Messias foi o de que, mesmo entre senadores de oposição que votaram contra a indicação, houve reconhecimento público de que o ministro da AGU preenchia os requisitos constitucionais exigidos para ocupar uma cadeira no Supremo: notável saber jurídico e reputação ilibada.

Esse ponto foi considerado relevante pelo entorno do presidente para sustentar a avaliação de que a derrota não teria ocorrido por falta de qualificação formal de Messias, mas por um ambiente político desfavorável no Senado.

✱ Lula vê atuação de Alcolumbre contra indicação
Ainda durante a conversa, Lula avaliou que houve interferência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, do União Brasil do Amapá, no processo de rejeição do nome de Messias. Na leitura do presidente, Alcolumbre teria atuado contra a indicação desde o início.

A avaliação reforça o incômodo do Planalto com o episódio, embora Lula, segundo relatos anteriores de auxiliares, não tenha indicado intenção de adotar retaliações públicas imediatas. O governo busca medir os efeitos da derrota antes de definir o próximo movimento em relação ao Supremo e ao próprio Messias.

A rejeição também gerou reação fora do Executivo. Uma associação de direitos humanos apresentou uma ação ao STF para pedir a anulação da sessão do Senado e a realização de uma nova análise da indicação, desta vez com voto aberto.

Atualmente, a votação de indicações de autoridades no Senado é secreta. Por isso, não é possível saber como cada senador votou no caso de Messias.

✱ Alckmin diz que Lula definirá novo nome ao STF
Na segunda-feira, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que Lula está definindo uma nova indicação para a Suprema Corte. Ele também lamentou a rejeição de Messias e destacou que o STF seguirá desfalcado, com 10 integrantes.

O Supremo é composto por 11 ministros. A vaga em disputa foi aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso, ocorrida no ano passado.

A indefinição sobre o novo indicado ocorre em um momento de tensão entre o Palácio do Planalto e o Senado. A escolha do próximo nome deverá considerar não apenas o perfil jurídico, mas também a capacidade de articulação política para evitar uma nova derrota na Casa.

✱ Futuro de Messias segue em aberto
Jorge Messias continua no centro das conversas internas do governo. A hipótese de sua permanência na AGU é defendida por Lula, que demonstrou pessoalmente o desejo de mantê-lo na Esplanada.

Outra possibilidade em análise é deslocá-lo para o Ministério da Justiça, em uma recomposição ministerial que ainda dependeria de decisão final do presidente. A chance de uma nova indicação ao STF no futuro também não foi descartada.

A nova reunião prevista para a próxima semana deve aprofundar essa discussão. Até lá, Lula pretende avaliar o cenário político após a rejeição no Senado e calibrar os próximos passos sobre a vaga aberta no Supremo e o papel de Messias no governo.

Fonte: Brasil 247

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