Presidente deve reunir ministros após acordão entre bolsonarismo, Congresso e ala do STF que derrotou Messias e aprovou Dosimetria
O presidente Lula inicia a semana sob pressão para definir uma reação política às derrotas recentes no Congresso, em meio à expectativa de que se reúna com ministros para tratar da crise aberta pela rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. As informações são do jornal O Globo.
Um auxiliar do presidente afirmou que há indicativo de que o encontro ocorra no começo da semana, embora ainda não exista confirmação de data. A reunião, caso seja marcada, deve envolver ministros da área política do governo.
A derrota de Messias no Senado foi considerada um dos reveses mais duros enfrentados pelo Palácio do Planalto. Na quarta-feira, os senadores rejeitaram a indicação do chefe da Advocacia-Geral da União para uma vaga no STF. Messias recebeu 34 votos favoráveis, sete a menos do que o mínimo necessário, e 42 votos contrários.
O resultado acendeu um alerta no governo sobre a capacidade de articulação da base aliada no Congresso. De acordo com parlamentares citados pela reportagem, a rejeição foi articulada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, do União Brasil do Amapá, que teria ficado contrariado com a escolha de Messias e passado a atuar contra sua aprovação.
Alcolumbre nega ter trabalhado contra a indicação. Ainda assim, a avaliação no entorno do governo é de que o presidente do Senado se aproximou da oposição nesse movimento, mirando apoio para uma nova disputa pela presidência da Casa em 2027.
Nos bastidores do Planalto, a derrota também é atribuída a traições de aliados. Governistas identificam integrantes do MDB, do PP e do PSD entre os grupos que não teriam sustentado a indicação de Messias. Há ainda suspeitas, entre aliados de Lula, sobre a atuação de Rodrigo Pacheco, do PSB de Minas Gerais, apontado como candidato favorito de Alcolumbre.
A articulação política do governo também passou a ser alvo de críticas internas. Um dos focos das queixas recai sobre a atuação do líder do governo no Senado, Jaques Wagner, do PT da Bahia, cobrado por aliados após o fracasso na votação.
A crise se agravou no dia seguinte à rejeição de Messias, quando o governo sofreu novo revés no Congresso. Parlamentares derrubaram o veto de Lula ao projeto que reduz penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro. A mesma legislação deve beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros envolvidos na trama golpista.
Diante desse cenário, aliados defendem que Lula assuma papel mais ativo na condução política do governo. A avaliação é que a crise exige uma reorganização da base para preservar a governabilidade e garantir a aprovação de matérias consideradas prioritárias até o fim do ano.
Entre integrantes do entorno presidencial, há a percepção de que o episódio não produz impacto eleitoral direto, mas pode alterar a correlação de forças entre Executivo e Legislativo. O temor é que partidos do centro se aproximem da candidatura de Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, apontado como principal adversário de Lula.
Ainda não está definido qual será o tom da resposta do Planalto. Uma ala defende uma reação mais dura, com rompimento político com Alcolumbre e retomada de um discurso de confronto com o Congresso. Esse grupo avalia que o governo poderia tentar transformar o embate em capital político.
Outra corrente, porém, prega cautela. Para esses aliados, o caminho mais adequado seria reorganizar a base sem ampliar o conflito com os congressistas. Esse grupo considera importante recompor a relação com Alcolumbre e buscar diálogo com lideranças de partidos do centro.
Fonte: Brasil 247 com as informações são do jornal O Globo
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