O Brasil voltou ao radar de investidores estrangeiros em meio à alta do petróleo, aos juros elevados e à valorização do real durante o governo do presidente Lula (PT). Relatórios de instituições financeiras internacionais apontam o país como um dos principais beneficiários do cenário global provocado pela guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã e pelo fechamento do Estreito de Ormuz.
Um relatório do Bank of America questionou se o Brasil pode ser o “próximo ouro”, em referência ao desempenho recente do ativo no mercado financeiro global. O Goldman Sachs também indicou que o país se destacou entre os emergentes favorecidos pela disparada nos preços do petróleo.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou de 1,6% para 1,9% a projeção de crescimento da economia brasileira em 2026. A instituição apontou que o Brasil pode ter ganhos no curto prazo por ser exportador líquido de energia, ou seja, vender mais petróleo e derivados ao exterior do que compra.
“O Brasil tem sido apontado como um dos locais mais atraentes do mundo emergente”, disse Martín Castellano, chefe de pesquisa para a América Latina do Instituto de Finanças Internacionais, em entrevista à BBC. “Mas naturalmente, muito se tem discutido sobre as próximas eleições e seus possíveis impactos nas políticas econômicas [do país]”.
A alta do petróleo explica parte desse movimento. Com a guerra no Oriente Médio e as incertezas no abastecimento global, os preços do combustível subiram mais de 30% desde o fim de fevereiro. Para países importadores, o efeito tende a ser inflação maior e pressão sobre a renda. Para exportadores de energia, como o Brasil, o impacto pode ser positivo.

O FMI avaliou que a guerra deve ter “um pequeno efeito líquido positivo” sobre o Brasil em 2026, com acréscimo de cerca de 0,2 ponto percentual no crescimento. “É importante destacar também que o Brasil é um dos países com altíssima participação de energias renováveis, o que representa outro fator atenuante”, afirmou Petya Koeva Brooks, vice-diretora no Departamento de Pesquisa do FMI.
Além das commodities, juros altos e dólar mais fraco aumentaram o interesse estrangeiro pelo mercado brasileiro. Segundo o Bank of America, “os investidores seguem confortáveis em manter exposição ao real brasileiro e às ações brasileiras”. O Goldman Sachs também avaliou que o país segue atrativo pelo impulso das matérias-primas e pela sensibilidade da bolsa aos juros.
“Na América Latina, o Brasil se destacou como beneficiário da alta dos preços do petróleo”, afirmaram economistas do banco. “Com avaliações, em nossa opinião, atrativas em relação ao nível das taxas, e com expectativas de novos cortes na taxa e alta sensibilidade do mercado acionário às taxas de juros, esperamos que as ações brasileiras tenham um desempenho superior”, diz o relatório.
Até 22 de abril, o capital estrangeiro na B3 somou R$ 64,42 bilhões em 2026, mais que o dobro do registrado em todo 2025. No câmbio, o real foi a moeda que mais se valorizou frente ao dólar no mundo no acumulado do ano até 17 de abril, com alta de 10,4%.
O economista Robin Brooks, da Brookings Institution, classificou o momento como “a tempestade perfeita” para o real. Segundo ele, a guerra entre Estados Unidos e Irã pode provocar uma das maiores valorizações da moeda brasileira dos últimos anos.
O cenário, porém, ainda depende de fatores internos e externos. Analistas citam as eleições presidenciais de outubro, a política fiscal, os cortes de juros e o preço dos fertilizantes como pontos de atenção. “A política fiscal tem sido uma espécie de calcanhar de Aquiles de longa data para a economia brasileira”, afirmou Castellano.
Fonte: DCM com informações da BBC
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