quarta-feira, 6 de maio de 2026

Defesa de Vorcaro finaliza proposta de delação e deve entregar anexos nesta semana

Defesa deve entregar anexos com relatos de crimes, envolvidos e provas do caso Master

   Foto mostra o banqueiro Daniel Vorcaro na prisão (Foto: Reprodução )

A defesa de Daniel Vorcaro prepara a entrega, ainda nesta semana, dos anexos da proposta de delação premiada do dono do Banco Master, em uma nova etapa das investigações sobre irregularidades atribuídas ao ex-banqueiro e a outros envolvidos.

Segundo a Folha de São Paulo, a apresentação dos documentos antecede a fase de negociação com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal (PF), que deverá tratar de eventuais benefícios da colaboração, do regime de pena e da devolução de recursos ao Estado.

Os anexos da delação devem organizar, separadamente, diferentes episódios de irregularidades. Cada documento deve conter a descrição dos fatos, a indicação dos nomes citados e os meios de prova que Vorcaro afirma poder apresentar caso o acordo seja aceito pelas autoridades.

Nos depoimentos prestados à Polícia Federal, Vorcaro relata crimes que teria cometido, aponta condutas ilícitas atribuídas a terceiros e relaciona elementos que, segundo sua defesa, poderiam ser usados para comprovar as informações apresentadas. A partir desses relatos, foram estruturados os anexos que agora devem ser encaminhados aos investigadores.

A informação de que os anexos foram concluídos foi divulgada inicialmente pelo jornal O Globo. Após a entrega, o material deverá tramitar sob sigilo, como ocorre em procedimentos envolvendo propostas de colaboração premiada.

Negociação deve tratar de pena e ressarcimento
Com a formalização dos anexos, defesa e investigadores devem passar a discutir as condições de um eventual acordo. Entre os pontos previstos estão a possível redução de pena, o regime a ser aplicado e os valores que Vorcaro poderá ter de pagar ao Estado, seja como multa, seja como ressarcimento.

Até o momento, de acordo com a reportagem, o entendimento de autoridades envolvidas no caso é de que o ex-banqueiro não deve receber perdão judicial. A definição sobre benefícios dependerá da análise do conteúdo apresentado e da avaliação sobre a efetividade das informações e provas prometidas.

A defesa de Vorcaro tem comparecido diariamente à Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde os depoimentos do ex-banqueiro vêm sendo colhidos. Ele foi transferido para a unidade da PF no Distrito Federal em 19 de março, justamente para discutir os termos de sua delação premiada.

A transferência foi determinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do inquérito que apura irregularidades relacionadas ao Banco Master.

Prisões e Operação Compliance Zero
Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro, no aeroporto de Guarulhos, quando tentava embarcar para o exterior. A Polícia Federal sustenta que ele pretendia fugir do país. Vorcaro, por sua vez, afirma que a viagem tinha como objetivo encontrar investidores interessados na compra do Banco Master.

Dez dias depois, ele foi solto. Em 4 de março, voltou a ser preso durante uma fase da Operação Compliance Zero, que também atingiu servidores do Banco Central.

Outro investigado no caso, Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, também preso no âmbito das apurações sobre fraudes envolvendo o Banco Master, trocou sua equipe de defesa e busca fechar um acordo de delação premiada.

Fonte: Brasil 247 com informações da Folha de S. Paulo

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