Ala do MDB critica falta de convite formal para compor chapa de reeleição e avalia neutralidade com alianças estaduais livres
O presidente Lula e o vice, Geraldo Alckmin, durante o Fórum Empresarial (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
A confirmação de Geraldo Alckmin (PSB) como vice na candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocou incômodo entre integrantes governistas do MDB, que também criticam a ausência de um convite formal para compor a chapa e avaliam adotar neutralidade nacional com liberdade para alianças nos estados, informa o jornal O Globo.
O núcleo do MDB mais alinhado ao governo considera que faltou um gesto político claro do presidente para consolidar uma aliança formal com a legenda. Para esse grupo, a ausência de uma proposta direta dificulta qualquer compromisso nacional com a campanha petista.
A avaliação interna é de que um convite explícito para ocupar a vice-presidência seria essencial para garantir a participação do MDB na coligação. Sem essa sinalização, cresce a tendência de que o partido libere seus diretórios estaduais para decidir apoios de forma independente.
Esse cenário já se reflete em algumas regiões. Em São Paulo, por exemplo, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) apoia a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, evidenciando a fragmentação das alianças dentro da sigla.
Auxiliares de Lula afirmam que não houve negociação formal com o MDB sobre a composição da chapa. O presidente teria apenas indicado a possibilidade em uma reunião com os senadores Eduardo Braga (AM) e Renan Calheiros (AL) no fim do ano passado, sem avanços concretos desde então.
Entre emedebistas, a percepção é de que o governo adotou uma postura pragmática, buscando ao menos evitar oposição aberta do partido, sem necessariamente construir uma aliança estruturada.
Apesar de declarações anteriores de Lula sugerirem possíveis mudanças na vice, o presidente confirmou na terça-feira (31), durante reunião ministerial, que Geraldo Alckmin seguirá no posto na disputa pela reeleição.
O MDB, por sua vez, mantém uma estrutura interna diversa, com forte autonomia regional, o que dificulta uma definição nacional unificada. Essa característica se reflete em decisões recentes da legenda.
Um dos episódios citados é a atuação do presidente do partido, Baleia Rossi, para impedir que Simone Tebet concorresse ao Senado por São Paulo pela sigla. Tebet deixou o MDB e se filiou ao PSB para disputar o cargo.
Além disso, o partido tem ampliado sua aliança com o governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos), que deve enfrentar o candidato do PT, Fernando Haddad, na disputa estadual. O MDB também filiou o vice-governador Felício Ramuth, reforçando sua articulação em São Paulo.
Em Minas Gerais, o diretório estadual resistiu à possível filiação do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco, que deve disputar o governo pelo PSB com apoio de Lula. A seção mineira já possui pré-candidato próprio e demonstra resistência em oferecer palanque ao presidente.
O presidente do PT, Edinho Silva, reconheceu as dificuldades de composição com partidos de centro e centro-direita. “Penso que as alianças com o PSD e MDB serão construídas nos estados. Não creio em aliança nacional com esses partidos”, declarou.
Apesar das divergências, integrantes governistas do MDB avaliam que a legenda ainda apresenta maior proximidade com Lula do que outras siglas do mesmo campo político. Mesmo sem acordo nacional, há expectativa de alianças regionais relevantes já no primeiro turno, especialmente em estados do Norte e Nordeste, repetindo o padrão observado em 2022.
Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo
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