Após superar 3 milhões de pedidos, estoque de benefícios do INSS diminui e gestão prevê reduzir fila para cerca de 1,3 milhão até o fim do ano
A fila de pedidos de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) voltou a registrar queda após atingir um nível recorde no início de 2026. De acordo com o presidente do órgão, Gilberto Waller Júnior, o volume de requerimentos caiu de 3,126 milhões em fevereiro para 2,985 milhões em março, interrompendo uma sequência de crescimento que vinha desde julho do ano passado. As informações foram antecipadas pelo dirigente à Folha de São Paulo, que revelou a expectativa do governo de reduzir o estoque para cerca de 1,3 milhão de pedidos até o fim do ano, considerado um patamar mais próximo da capacidade operacional do instituto.
A redução de 141 mil processos em março ocorre após três meses consecutivos com a fila acima de 3 milhões de solicitações. Segundo Waller Júnior, o desempenho recente foi impulsionado por um recorde no número de análises realizadas em um único mês, mesmo diante de episódios de instabilidade nos sistemas do órgão.
O presidente do INSS afirmou que a meta agora é intensificar os esforços no primeiro semestre para levar o estoque a níveis mais administráveis. “A ideia é que possa chegar a trabalhar no mês com o estoque dentro do prazo legal de 45 dias para zerar os processos acima disso”, declarou. Ele acrescentou que, com maior volume de investimentos, esse objetivo pode ser antecipado: “Esse é o plano de ação. Mas se a gente conseguir um investimento maior podemos chegar até julho em números mais aceitáveis".
A estratégia inclui a prorrogação do pagamento de bônus extraordinários a servidores até dezembro, como forma de acelerar a análise dos pedidos. O objetivo é garantir que o sistema consiga absorver, dentro do próprio mês, o volume médio de solicitações, estimado em cerca de 1,3 milhão.
Waller Júnior também rejeitou críticas de que o governo teria retardado concessões no segundo semestre de 2025 para aliviar as contas públicas. “A redução da fila é prioridade número 1 [do governo]. Não se pensa em redução de custos com redução de direitos”, afirmou. Ele reforçou que “no governo nunca se pensou em bloqueio de direitos para poder fazer economia. Isso é uma coisa impensável”.
O avanço na análise dos pedidos tem impacto direto nas contas públicas. A aceleração das concessões eleva os gastos no curto prazo, mas reduz despesas futuras com pagamentos retroativos corrigidos pela taxa Selic, que são devidos quando há demora no reconhecimento do direito ao benefício.
Internamente, o INSS enfrenta pressão para reduzir a fila em meio ao calendário eleitoral, evitando desgastes políticos para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em 2025, o estoque de pedidos fechou em 3,039 milhões, enquanto em janeiro de 2024 estava em cerca de 1,57 milhão, evidenciando a escalada recente do problema.
Para enfrentar o desafio, o instituto retomou o Programa de Gerenciamento de Benefícios (PGB), que inclui pagamento adicional de até R$ 17,7 mil mensais a servidores que realizarem análises extras, com remuneração de R$ 68 por tarefa concluída. O modelo também institui uma fila nacional, permitindo que servidores de regiões com menor demanda atuem em processos de áreas mais sobrecarregadas.
Outras medidas incluem a formação de grupos de trabalho especializados, responsáveis por analisar 65 mil benefícios ao longo de 2026, além da realização de mutirões e da antecipação de perícias médicas.
O maior volume de represamento está concentrado nos pedidos de benefício por incapacidade temporária, conhecido como auxílio-doença. Ainda assim, o INSS registrou um índice de absorção de demanda de 108,57%, o que indica que o número de processos concluídos superou o de novos pedidos no período.
Segundo o presidente do instituto, esse desempenho resultou na maior quantidade de processos finalizados nos últimos 18 meses, com 674.195 requerimentos analisados, além da redução no tempo médio de espera para início e conclusão das análises. A expectativa é que a reorganização estrutural e a centralização da fila contribuam para dar maior fluidez à tramitação dos benefícios e reduzir o passivo histórico acumulado.
Fonte: Brasil 247 com informações da Folha de S. Paulo
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