TSE determinou remoção de postagem que associam o político da extrema direita ao crime organizado e ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro
Rogério Correia, André Mendonça, Flávio Bolsonaro, bandeiras do Brasil, dos EUA, e notas de real e dólar (Foto: Thiago Cristino / Câmara dos Deputados I Rosinei Coutinho/STF I Saulo Cruz/Agência SenadoSaulo Cruz/Agência Senado I IA/247)
O vice-líder do governo na Câmara dos Deputados, Rogério Correia (PT-MG) fez cobranças ao ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) André Mendonça nesta segunda-feira (22) e, em postagem na rede social X, defendeu, de forma irônica, que o magistrado emita uma decisão com o objetivo de proibir a possível aplicação do tarifaço de 25% dos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros.
O parlamentar comentou a determinação do vice-presidente do TSE após o magistrado ordenar a remoção de publicações que associavam o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a temas como crime organizado, ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e acusações relacionadas ao assassinato da ex-vereadora Marielle Franco (Psol), morta por milicianos em março de 2018.
"Ministro Mendonça proibiu vincular Flávio com Vorcaro e Flávio com as milícias, porque? É segredo de polichinelo, até o reino mineral sabe. Só falta proibir o Tariflávio", escreveu o parlamentar na rede social. O magistrado também é ministro do Supremo Tribunal Federal e foi indicado por Jair Bolsonaro (PL) para o cargo em 2021.
O parlamentar do PT criticou a relação do pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O senador negociou diretamente com o ex-banqueiro um financiamento de R$ 134 milhões para o filme Dark Horse, produção biográfica sobre Jair Bolsonaro (PL), condenado pelo STF a 27 anos de prisão na investigação da trama golpista. Do valor negociado, R$ 61 milhões chegaram ao longa.
O empresário Daniel Vorcaro está detido e em processo de negociação para uma delação premiada após ser alvo da Operação Compliance Zero. A Polícia Federal investiga um esquema de fraudes financeiras, que, segundo a corporação, movimentou ao menos R$ 12 bilhões.
Guerra comercial
Ao citar o "tariflávio", Rogério Correia criticou a intenção do governo do presidente dos EUA, Donald Trump, de aplicar tarifas sobre produtos brasileiros exportados para o mercado estadunidense. No começo do mês, a gestão trumpista acusou o Brasil, sem apresentar provas, de adotar práticas desleais no comércio e também criticou o Pix, sistema de pagamento lançado pelo Banco Central em 2020.
Segundo lideranças progressistas, a guerra comercial lançada pelos Estados Unidos contra o Brasil tem ligação com as condenações determinadas pelo STF na investigação da trama golpista. Aliado de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, Jair Bolsonaro recebeu a maior pena entre os 29 condenados, com 27 anos de prisão.
A leitura desses setores é que os EUA tentam pressionar o Brasil em meio ao avanço das decisões judiciais contra lideranças da extrema direita. A acusação de interferência se soma às críticas sobre a tentativa de impor tarifas a produtos brasileiros e ao ataque ao Pix, um dos principais sistemas de pagamento usados no País.
O tarifaço foi anunciado em 2 de junho após Flávio Bolsonaro e o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) se reunirem com o presidente Donald Trump na Casa Branca, em Washington.
Escala 6x1 também entrou na disputa
O ministro André Mendonça também mandou que Rogério Correia, e os deputados federais Lindbergh Farias (PT-RJ) e Alencar Santana (PT-SP), além de aliados, retirassem conteúdos que associavam Flávio Bolsonaro à defesa de uma suposta escala de trabalho 7x0. Nessa modalidade, o trabalhador atuaria durante sete dias por semana, sem folga.
A controvérsia envolve o debate sobre a jornada de trabalho no Congresso. Em 27 de maio, a Câmara dos Deputados aprovou, em dois turnos, a Proposta de Emenda à Constituição que estabelece jornada de 40 horas semanais em cinco dias de trabalho, com dois dias de descanso. A medida acaba com a escala 6x1, modelo com um dia de descanso e 44 horas semanais.
A PEC 221/19 recebeu 461 votos favoráveis e 19 contrários no segundo turno. No primeiro turno, o plenário registrou 472 votos a favor e 22 contra. O texto enviado ao Senado corresponde a um substitutivo do deputado Leo Prates (Republicanos-BA) para a PEC do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que previa jornada de 36 horas, e para a PEC 8/25, da deputada Erika Hilton (Psol-SP), que propõe jornada semelhante em quatro dias.
Pesquisas mostram vantagem de Lula
A defesa da soberania nacional será um dos principais temas de campanha dos presidenciáveis para disputar os votos do eleitorado este ano. Pesquisa Datafolha divulgada no último sábado (20) mostrou que o presidente Lula (PT) vence todos os adversários testados em eventuais cenários de segundo turno.
A Pesquisa CNT de Opinião, realizada pelo Instituto MDA, indicou que Lula abriu 12,5 pontos de vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro. Outro levantamento, feito pela Quaest e contratado pela Genial Investimentos, mostrou o presidente com seis pontos percentuais de vantagem sobre o parlamentar da extrema direita.
No cenário de primeiro turno medido pela Quaest, Lula registrou 39% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro marcou 29%. Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) apareceram com 3% cada. Aécio Neves (PSDB) e Romeu Zema (Novo) somaram 2% cada. Augusto Cury (Avante), Joaquim Barbosa (DC) e Samara Martins (UP) registraram 1% cada.
O levantamento também apontou 10% de indecisos. Brancos, nulos e eleitores que declararam não votar em nenhum nome chegaram a 9%.
Ministro Mendonça proibiu vincular Flávio com Vorcaro e Flávio com as milícias, porque? É segredo de polichinelo, até o reino mineral sabe. Só falta proibir o Tariflávio.— Rogério Correia (@RogerioCorreia_) June 22, 2026
Fonte: Brasil 247
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