terça-feira, 23 de junho de 2026

Rope jump: Polícia já sabe o que ocorreu com camêra de jovem que foi lançada de ponte sem corda

Maria Eduarda morreu após ser arremessada de uma altura de cerca de 40 metros da Ponte do Esqueleto

      Maria Eduarda Rodrigues de Freitas (Foto: Reprodução/Instagram)

A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo afirmam que um dos novos presos pela morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, teria retirado a câmera que estava com a jovem logo após ela ser lançada sem corda durante um salto de rope jump em Limeira, no interior paulista. A câmera, que ainda não foi localizada, é considerada peça central para a reconstrução da tragédia, as informações são do G1.

João Antônio Pivetta Ribeiro da Silva, de 35 anos, foi preso temporariamente no fim de semana, junto com Evelyne dos Santos Gonçalves, de 43 anos, apontada como responsável pelo grupo que organizava os saltos, e Gabriel Barros Martins, de 30 anos. A investigação apura a participação dos três na dinâmica do evento e em possíveis condutas posteriores à queda.

Maria Eduarda morreu após ser arremessada de uma altura de cerca de 40 metros da Ponte do Esqueleto, sem o uso das cordas de segurança necessárias para a prática do rope jump. O caso provocou forte repercussão pela gravidade das imagens e pela suspeita de falhas sucessivas na organização e execução do salto.

No pedido de prisão apresentado à Justiça, a Polícia Civil e o Ministério Público sustentam que João Antônio estava na base da ponte no momento em que Maria Eduarda foi lançada. De acordo com os investigadores, ele teria condições de observar eventual irregularidade na fixação dos equipamentos e comunicar a equipe posicionada no topo da estrutura por rádio.

O Ministério Público também afirma que João Antônio se aproximou do corpo da vítima imediatamente após a queda e retirou a câmera GoPro que ela segurava. O equipamento, segundo a apuração, poderia conter imagens decisivas para esclarecer o que ocorreu antes, durante e depois do salto.

“João Antônio Pivetta Ribeiro da Silva, posicionado na base da estrutura com função operacional durante o evento, detinha condições objetivas de perceber eventual irregularidade na fixação dos equipamentos da vítima e de comunicá-la à equipe no topo por meio de rádio, comunicação que, em tese, não foi realizada. Ademais, aproximou-se do corpo da vítima imediatamente após a queda e removeu a câmera GoPro que ela segurava, praticando conduta de supressão de elemento probatório central à investigação”, disse o Ministério Público.

A delegada Andréa Levy, responsável pelo caso, afirmou que João negou em depoimento ter retirado a câmera da vítima. Segundo ela, uma testemunha relatou ter visto Maria Eduarda com o equipamento na mão logo após a queda e, em seguida, um homem retirando a câmera.

“Assim que aconteceu a queda, uma testemunha teria se aproximado da beirada da ponte e visto a Maria Eduarda com a câmera na mão e, segundos depois, um indivíduo retirando a câmera dela. Contudo, quando ele [João] foi ouvido, ele menciona que ele foi apenas checar o batimento cardíaco e que ele não retirou a câmera. Mas, diante da testemunha presencial que viu ele retirando a câmera da mão da vítima, foi necessária a prisão temporária dele para averiguar os fatos”, destacou Levy.

A defesa de João Antônio afirmou que ele não participou da execução do salto e que prestou auxílio imediato à vítima. Também declarou que o investigado colaborou com as autoridades e que tem interesse na localização da câmera.

O Ministério Público atribui a Evelyne dos Santos Gonçalves a condição de organizadora do grupo Entre Cordas. No documento enviado à Justiça, ela é descrita como responsável pela estruturação do evento. A promotoria também afirma que Evelyne teria destruído uma prova digital ao excluir a conta de Instagram do grupo após a morte de Maria Eduarda.

“Evelyne dos Santos Gonçalves, na condição de organizadora e "CEO" do grupo 'Entre Cordas', detinha o domínio pleno da estruturação do evento, assumindo, em tese, o risco da produção do resultado letal ao permitir a realização de atividade de elevado potencial ofensivo sem observância de protocolos mínimos de segurança. Destruiu prova digital de relevância inequívoca ao excluir a conta de Instagram do grupo imediatamente após o óbito.”

A defesa de Evelyne informou que está confiante na inocência dela e ressaltou que a cliente colabora com as investigações desde o início. Também afirmou que os fatos ainda estão sendo apurados.

Em relação a Gabriel Barros Martins, o Ministério Público afirma que ele integrava a equipe responsável pela organização e execução do evento. Segundo o documento, Gabriel deixou o local logo após a tragédia sem prestar esclarecimentos às autoridades.

“Gabriel Barros Martins, integrante da equipe organizadora e executora do evento, evadiu-se do local logo após o ocorrido sem prestar quaisquer esclarecimentos às autoridades policiais.”

A defesa de Gabriel informou que vai se manifestar apenas no processo.

A Polícia Civil também concluiu, nesta segunda-feira (22), o primeiro inquérito sobre o caso e indiciou por homicídio com dolo eventual os três instrutores presos logo após a morte da jovem. Foram indiciados Luis Felipe Feliciano Egoroff, de 32 anos, Maicon Fernandes Cintra, de 42 anos, e Vitor de Freitas Gonçalves, de 27 anos.

Os três aparecem em vídeo lançando Maria Eduarda da ponte. Eles tiveram a prisão convertida em preventiva e foram transferidos do Centro de Detenção Provisória de Piracicaba para o CDP II de Guarulhos, segundo o advogado Rafael Gomes dos Santos, que representa dois dos instrutores. A transferência teria ocorrido para preservar a integridade física dos presos.

Na semana passada, a Justiça negou um pedido de habeas corpus apresentado no caso. Com o avanço das apurações, a investigação passou a ter um segundo inquérito, voltado à conduta dos três presos temporariamente no fim de semana.

Imagens registradas por outro ângulo mostram o momento em que Maria Eduarda é lançada da Ponte do Esqueleto. Logo após o salto, a movimentação das pessoas que acompanhavam a atividade muda de forma brusca. Em uma das gravações, alguém alerta: “Gente, a corda!”.

O vídeo também registra outras falas sobre o equipamento de segurança. Em outro trecho, enquanto pessoas se movimentam agitadas pela ponte, um homem afirma: “Não, não, para. Não, gente, para. Como assim, a corda arrebentou?”.

O rope jump é uma modalidade praticada com cordas estáticas, sem elasticidade, em que a pessoa, após a queda, faz um movimento de balanço semelhante ao de um pêndulo. A prática é diferente do bungee jump, no qual uma corda elástica faz o participante cair e retornar para cima e para baixo repetidas vezes.

A tragédia levou ao fechamento do acesso à Ponte do Esqueleto, em Limeira. O governo federal também avalia a remoção da estrutura. Enquanto isso, a Polícia Civil tenta localizar a câmera que estava com Maria Eduarda e reunir novos elementos para esclarecer a sequência de falhas que resultou na morte da jovem.

Fonte: Brasil 247 com informações do G1

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