Manifesto aponta candidatura como resposta ao avanço do fascismo e à necessidade de renovar o Congresso Nacional
Juristas e intelectuais assinaram um manifesto em defesa da candidatura de Luizianne Lins (Rede-CE) ao Senado. Em 2 de abril, a deputada federal deixou o PT e se filiou à Rede Sustentabilidade. No documento, os juristas sinalizaram a importância da candidatura da parlamentar para combater o fascismo e defender pautas do campo progressista, como soberania e direitos sociais.
“O mundo atravessa uma de suas mais delicadas fases, certamente a mais angustiante destas primeiras décadas do século XXI. O moralismo inconsequente, o retrocesso democrático, o liberalismo sem limites e a ascensão de um viés de características nitidamente fascistas no seio social já não se escondem atrás de cortinas. Pelo contrário, avançam sobre nações que outrora pensaram já haver superado os riscos de um declínio político e social”, afirmou o texto.
“Estes riscos convergem para o Brasil. Apesar da vitória contra a tentativa de golpe em janeiro de 2023, estamos vendo sucumbir, uma a uma, as democracias na América Latina, com a ascensão de grupos que não aceitam disputar ideias nos marcos da razoabilidade política, sequer suportam a vida plural, com atenção à tolerância e às diferenças. São representações sociais daquilo que pior pode haver em termos de aceitação de um mundo mais justo, fraterno, socialmente humano e ecologicamente sustentável”, continuaram os juristas.
De acordo com o manifesto, o “Congresso Nacional precisa ser renovado para ontem, sob pena de fazer ruir a única ponta de esperança que ainda existe no país, o governo do presidente Lula”. “É nesse sentido que nós, juristas abaixo-assinados, clamamos para que se materialize uma candidatura indubitavelmente de esquerda no estado do Ceará”, complementou.
“Uma candidatura que represente os anseios do povo pobre, da mulher e do homem trabalhador, do pequeno e do grande empresário, de todas e todos aqueles que entendem que só com uma ruptura sobre o que está posto é possível afastar de vez o declínio da democracia brasileira. Essa candidatura tem nome: Luizianne Lins, Senadora!”.
Conforme o texto, “Luizianne tem demonstrado, ao longo da vida pública, desde a militância estudantil até a Câmara baixa do Congresso Nacional, desde a vereança em Fortaleza, o parlamento estadual e a prefeitura da capital até a flotilha Global Sumud de apoio à causa palestina, possuir coerência ideológica, coragem política e motivação teórica e prática para dar ao país e, também, ao estado do Ceará aquilo que ambos precisam: equilíbrio, estabilidade, avanço civilizatório social e, sobretudo, defesa democrática”.
“O Brasil precisa, o Ceará merece ter Luizianne Lins, Senadora da República. Assinam este manifesto juristas inquietos, preocupados, no entanto, esperançosos de que, em seu próximo governo, o presidente Lula terá ao seu lado um Congresso com postura minimamente republicana para edificar o país que todas e todos almejamos. Outrossim, terá o governador Elmano uma ponte livre e desimpedida para dar continuidade às suas iniciativas sociais. Isso será possível com uma bancada parlamentar renovada. Por isso, este grito é uníssono: Luizianne Senadora já!”.
Intenções de voto
A disputa pelo Senado no Ceará tem empate técnico entre Cid Gomes (PSB), Capitão Wagner (União) e Luizianne Lins (Rede), segundo pesquisa AtlasIntel/Focus Poder divulgada nesta quarta-feira (17), que mostra um cenário acirrado pelas duas vagas do estado nas eleições de 2026. As informações são da CartaCapital.
No principal cenário testado, Cid aparece numericamente à frente, com 20,5% das intenções de voto, mas dentro da margem de erro em relação a Capitão Wagner e Luizianne, ambos com 18,7%. O levantamento indica que a corrida ao Senado no Ceará segue aberta, com três nomes concentrando os maiores percentuais neste momento da pré-campanha.
A pesquisa ouviu 1.223 eleitores cearenses pela internet, entre os dias 9 e 14 de junho, por meio do método de Recrutamento Digital Aleatório. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número CE-03465/2026.
No primeiro cenário, além dos três primeiros colocados, Alcides Fernandes (PL) aparece com 15,4% das intenções de voto. Em seguida vêm Anna Karina (PSOL), com 4,6%; Eunício Oliveira (MDB), com 4,2%; Cândido Albuquerque (PSDB), com 2,3%; e General Theophilo (Novo), com 1,9%. Os votos brancos e nulos somam 7,5%, enquanto 6,2% dos entrevistados afirmaram não saber em quem votar.
O quadro mostra uma disputa concentrada entre nomes conhecidos do eleitorado cearense. Cid Gomes, ex-governador e atual senador, mantém vantagem numérica, mas sem se descolar dos adversários diretos. Capitão Wagner, que já disputou cargos majoritários no estado, e Luizianne Lins, ex-prefeita de Fortaleza, aparecem no mesmo patamar, reforçando o equilíbrio da eleição para o Senado.
Em uma segunda simulação, sem Cid Gomes e com Júnior Mano (PSB) incluído na disputa, Luizianne Lins assume a liderança numérica, com 20,5% das intenções de voto. Capitão Wagner aparece logo atrás, com 19,7%, também em situação de empate técnico. Alcides Fernandes registra 15,8%, mantendo-se entre os principais nomes avaliados pelo levantamento.
Nesse segundo cenário, Anna Karina sobe para 7,9%, seguida por Eunício Oliveira, com 7,5%. Júnior Mano aparece com 4,2%, Cândido Albuquerque marca 2,9% e General Theophilo tem 1,2%. Os votos brancos e nulos chegam a 12,1%, enquanto 8,1% dos entrevistados não souberam responder.
Os números indicam que a eleição para as duas vagas do Ceará no Senado deve ser uma das disputas mais competitivas do ciclo eleitoral de 2026 no estado. A configuração apresentada pela AtlasIntel/Focus Poder mostra que diferentes campos políticos aparecem com candidaturas competitivas, sem vantagem consolidada para nenhum dos principais nomes.
Como a margem de erro é de três pontos percentuais, a liderança numérica de Cid no primeiro cenário e de Luizianne no segundo não representa vantagem isolada. O resultado reforça a importância das próximas movimentações partidárias, da definição das alianças e da consolidação das candidaturas até o período oficial de campanha.
A pesquisa também revela um contingente relevante de eleitores ainda sem definição, especialmente no segundo cenário, em que a soma de brancos, nulos e indecisos ultrapassa 20%. Esse grupo pode ter peso decisivo na formação do quadro eleitoral para o Senado no Ceará, sobretudo em uma disputa com duas vagas e nomes próximos na preferência do eleitorado.
Assinam
- Marcelo Uchôa, advogado, professor, Doutor em Direito Constitucional com estudos de pós-doutorado em Direitos Humanos, ABJD/Grupo Prerrogativas;
- Inocêncio Uchôa, Juiz do Trabalho aposentado, ABJD/AJD;
- Kenarik Boujikian, Desembargadora aposentada TJ/SP, Especialista em Direitos Humanos;
- Pedro Serrano, professor da PUC/SP.
- Ecila Meneses, advogada, ABJD/RENAP;
- Martônio Mont’Alverne, Procurador do Município de Fortaleza, Doutor em Direito com estudos de pós-doutorado em Direito pela Johann Wolfgang Goethe-Universität Frankfurt am Main, professor da UNIFOR, ABJD.
- Gisele Cittadino, Professora Associada da PUC/RJ
- Luis Carlos Moro, advogado, ex-presidente da Associação Brasileira de Advogados Trabalhistas (ABRAT), Associação Latino-Americana de Advogadas e Advogados Trabalhistas (ALAL) e Associação Americana de Juristas (AAJ);
- Luiz Moreira, advogado, Mestre em Filosofia, Doutor em Direito.
- João Alfredo Teles Melo, Mestre em Direito e Doutor em Desenvolvimento e Meio Ambiente, Superintendente do IDACE;
- Renato Roseno, advogado, deputado estadual do Ceará.
- Newton Albuquerque, Doutor em Direito, professor da Faculdade de Direito da UFCE, ABJD;
- Deodato Ramalho, advogado, ex-secretário municipal, ex-procurador jurídico do Município de Fortaleza, ex-superintendente do IBAMA;
- Martír Silva, advogada, professora, secretária executiva da Igualdade Racial do estado do Ceará;
- Fernando Antônio Castelo Branco Sales Júnior, advogado, Professor de Direito da URCA, ABJD;
- Mário Freire Ribeiro Filho, advogado ambientalista.
- Flávio José Moreira Gonçalves, professor da Faculdade de Direito da UFCE, Grupo Prerrogativas;
- Rômulo Alexandre Soares, advogado, Mestre em Negócios Internacionais;
- Mércia Cardoso de Souza, servidora efetiva do TJCE, Mestre e Doutora em Direito, ABJD, Sindjustiça;
- Judson Holanda, advogado;
- Izabel Dourado de Medeiros, Procuradora Federal;
- Áuria Gadelha, advogada;
- Antonio José Gomes, advogado, Mestre em Estado, Governo em Políticas Públicas, doutorando em Direito;
- Carlos Eduardo Romanholi Brasil, advogado;
- Tainara Jeronimo da Silva, advogada indígena Tapeba;
- Franzé Nogueira, advogado;
- César Diógenes, advogado;
- Stella Maris Nogueira, advogada/RENAP;
- Scipião Costa, advogado;
- Leila Carvalho, defensora pública;
- Marcus Giovani Ribeiro Moreira, advogado, professor universitário, Mestre em Políticas Públicas, Doutor em Sociologia;
- Caio Mascarenhas Gomes, advogado;
- Sabryna Lays Cunha da Rocha, Advogada;
- Marcos Paulo de Oliveira, advogado;
- Walber Nogueira, advogado, professor/RENAP;
- Guilherme Rodrigues, procurador do Município de Fortaleza;
- Neilianny Carla Vieira Oliveira, advogada/ABJD;
- Felipe da Costa Rocha, advogado;
- Maria de Jesus Cavalcante da Rocha, advogada;
- Felipe dos Reis Barroso, professor universitário;
- Estevão Mustafa, advogado;
- Jaciara Almeida Carneiro, bacharela em Direito, ambientalista e ativista feminista/ABJD;
- Jackson Dnajá Nobre Figueiredo, advogado e professor;
- Francisco Wesley Gomes, advogado;
- Maria de Jesus Cavalcante da Rocha, advogado;
- Francisco Artur de Souza Munhoz, advogado;
- Samantha Albuquerque Frota, advogada;
- Naime Tavares Machado Mustafa, bacharel em Direito;
- Geovana de Oliveira Patrício Marques, advogada;
- Hermano Monteiro, advogado e cientista político;
- Ivan Monte Claudino Júnior, advogado;
- Alice Régia Mota, advogada;
- Lia Cavalcante, bacharela em Direito;
- Marcos Gleidson, bacharel em Direito;
- Paulo Afonso Lopes Ribeiro, advogado;
- Daniella Alencar Matias, advogada feminista;
- Marcelo Gleidson Cavalcante Melo, advogado;
- Romualdo Lima, advogado;
- Lívia Oliveira de Meneses, bacharela em Direito, ex-vereadora de Pacajus;
- Gilberto Moreira Menezes Neto, advogado, Mestre em Direito, ABJD;
- Germana Farias de Albuquerque, advogada;
- Humberto Bayma Augusto, Procurador do Município de Pacajus, Mestre em Políticas Públicas;
- Clayton Lopes Castelo Branco, advogado e cientista político.
Fonte: Brasil 247
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