terça-feira, 23 de junho de 2026

Bolsonaro inclui jogos de baralho com Michelle e banhos de sol em rotina de prisão domiciliar


         Bolsonaro à beira da piscina. Foto: reprodução

A poucos dias do fim do prazo da prisão domiciliar concedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), Jair Bolsonaro (PL) mantém uma rotina marcada por cuidados médicos, convivência familiar, momentos de oração e baixa atividade política. Aliados aguardam uma definição sobre eventual prorrogação da medida, que termina em 25 de junho.

Segundo o Globo, interlocutores da família dizem que os dias do ex-presidente começam com medicação prescrita e seguem com compromissos ligados à recuperação física, incluindo sessões de fisioterapia. Bolsonaro ainda se recupera de uma cirurgia no ombro direito feita neste ano e, de acordo com aliados, segue sentindo fortes dores no local.

Os episódios de soluço que marcaram internações anteriores continuam ocorrendo ocasionalmente, conforme Michelle Bolsonaro tem relatado em eventos públicos. A ex-primeira-dama também afirmou que a medicação do marido foi alterada para tentar contornar o problema.

Quando não está em tratamento, Bolsonaro costuma passar parte do tempo no quintal da residência para tomar sol. Também conversa com familiares e seguranças, joga cartas com Michelle e dedica parte do dia à leitura da Bíblia, hábito incentivado pela ex-primeira-dama. À noite, faz uso de medicação para dormir.

A alimentação passou a ser controlada de forma mais rígida desde a transferência para casa. Segundo interlocutores, Michelle assumiu parte do preparo das refeições, seguindo uma dieta restritiva recomendada pelos médicos.

Entre os visitantes mais frequentes estão advogados e integrantes da equipe médica. No dia 13 de junho, o senador Flávio Bolsonaro foi autorizado por Moraes a visitar o pai entre 11h e 13h. Os dois não assistiram juntos ao primeiro jogo do Brasil na Copa, que ocorreu às 19h e terminou empatado em 1 a 1 com o Marrocos.

Bolsonaro em sua casa durante prisão domiciliar. Foto: Pedro Ladeira/Folhapress
Michelle também reduziu a presença em agendas públicas, mas não se afastou completamente das articulações políticas. Ela tem participado de lançamentos de pré-candidaturas e se encontrado com aliadas como Celina Leão, Damares Alves e Bia Kicis.

Interlocutores afirmam que a ex-primeira-dama evitou movimentos que pudessem ser interpretados como “provocação” a Moraes. Em maio, ela chamou o ministro de “irmão em Cristo” ao agradecer autorização para que um cabeleireiro fosse até a residência cortar o cabelo de Bolsonaro.

Bolsonaro está em prisão domiciliar desde 27 de março, após apresentar febre, queda na saturação de oxigênio e pneumonia bacteriana por broncoaspiração enquanto estava custodiado no 19º Batalhão da PM do Distrito Federal. Moraes autorizou a transferência com base em relatórios médicos e estabeleceu prazo de 90 dias.

Aliados dizem que o ex-presidente cumpriu as condições impostas pelo STF. “É a primeira vez que eu vejo, na história do Brasil, uma prisão domiciliar com prazo de validade. Ela tem apenas regras que, se não forem cumpridas, a pessoa volta para o regime fechado. Fica um ponto de interrogação muito grande”, disse o deputado Zé Trovão (PL-SC).

A preocupação mais recente envolve a apreensão de uma arma vinculada a Bolsonaro durante uma blitz. A Polícia Civil do Distrito Federal marcou audiência por videoconferência para ouvi-lo e informou ao STF que compartilhará os dados do inquérito com o gabinete de Moraes.

Fonte: DCM com informações do jornal O Globo

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