segunda-feira, 11 de maio de 2026

PF investiga o papel das mulheres contratadas por Vorcaro para festas de luxo com políticos


      Daniel Vorcaro e Martha Graeff em evento de luxo. Foto: reprodução

A Polícia Federal quer ouvir mulheres que participaram de festas promovidas por Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, enquanto avança nas investigações sobre suspeitas de fraudes bancárias ligadas à instituição. Mensagens obtidas pelos investigadores indicam que os eventos eram usados pelo ex-banqueiro para se aproximar de autoridades.

Segundo o Globo, as mulheres ainda estão sendo identificadas pela PF e são tratadas como vítimas. Entre elas, há estrangeiras de países como Rússia, Ucrânia, Lituânia, Holanda, México e Venezuela.

A intenção dos investigadores é apurar se havia uma rede estruturada de exploração sexual associada à presença delas nesses encontros. Essa frente é conduzida de forma independente da investigação principal sobre fraudes financeiras.

A defesa de Vorcaro entregou, na última terça-feira (5), uma proposta de delação premiada para colaborar com o caso. Paralelamente, a PF também apura a possível influência do ex-banqueiro em projetos discutidos no Congresso que poderiam favorecer interesses ligados ao Banco Master.

Segundo os investigadores, ele acompanhava propostas sobre mercado de carbono, transição energética e ampliação da cobertura do Fundo Garantidor de Crédito.

O caso ganhou força após a operação que teve como um dos alvos o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Ao autorizar buscas em endereços do parlamentar, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, citou uma emenda apresentada por Ciro para elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a garantia do FGC a investidores.

Segundo a PF, o texto teria sido redigido pela assessoria do Banco Master e “reproduzida de forma integral” pelo senador. Em mensagem obtida pela investigação, Vorcaro comemorou a publicação da proposta. “Saiu exatamente como mandei”, escreveu o dono do Master, de acordo com a apuração. A garantia do FGC era uma das estratégias usadas pelo banco para atrair investimentos em CDBs.

       Daniel Vorcaro e Ciro Nogueira. Foto: reprodução

As festas promovidas por Vorcaro já haviam entrado no radar do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União. Em fevereiro, o órgão pediu abertura de investigação para identificar autoridades que participaram de eventos em Trancoso, no sul da Bahia, e verificar se houve uso de recursos públicos nas viagens.

Segundo a representação, os eventos chamados Cine Trancoso tinham controle rígido de acesso, proibição de celulares, detectores de metais e câmeras internas mantidas por Vorcaro sob justificativa de segurança.

Mensagens da dona de uma casa alugada pelo ex-banqueiro também foram reunidas pela PF. “O Vorcaro encheu a minha casa de putas. Ele, amigos e muitas putas! Desde antes de ontem, reclamações por causa do som acima do permitido. Ontem foi pior”, escreveu a empresária em 5 de outubro de 2022.

Em outra conversa, Vorcaro tratou do tema com a então noiva, Martha Graeff. “Fazia parte do meu ‘business’. Nunca te escondi o que fiz, e por que fiz. Fiz festa com 300 desse tipo”, escreveu em 18 de agosto de 2025.

A PF também investiga se Vorcaro atuou para alterar projetos em tramitação no Congresso. Em novembro de 2023, ele teria ordenado a retirada, na casa de Ciro, de envelopes com minutas de projetos de lei. Ciro nega qualquer pedido relacionado aos textos, e a defesa de Vorcaro afirmou que não iria comentar.

Fonte: DCM com informações do jornal O Globo

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