A Polícia Federal quer ouvir mulheres que participaram de festas promovidas por Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, enquanto avança nas investigações sobre suspeitas de fraudes bancárias ligadas à instituição. Mensagens obtidas pelos investigadores indicam que os eventos eram usados pelo ex-banqueiro para se aproximar de autoridades.
Segundo o Globo, as mulheres ainda estão sendo identificadas pela PF e são tratadas como vítimas. Entre elas, há estrangeiras de países como Rússia, Ucrânia, Lituânia, Holanda, México e Venezuela.
A intenção dos investigadores é apurar se havia uma rede estruturada de exploração sexual associada à presença delas nesses encontros. Essa frente é conduzida de forma independente da investigação principal sobre fraudes financeiras.
A defesa de Vorcaro entregou, na última terça-feira (5), uma proposta de delação premiada para colaborar com o caso. Paralelamente, a PF também apura a possível influência do ex-banqueiro em projetos discutidos no Congresso que poderiam favorecer interesses ligados ao Banco Master.
Segundo os investigadores, ele acompanhava propostas sobre mercado de carbono, transição energética e ampliação da cobertura do Fundo Garantidor de Crédito.
O caso ganhou força após a operação que teve como um dos alvos o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Ao autorizar buscas em endereços do parlamentar, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, citou uma emenda apresentada por Ciro para elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a garantia do FGC a investidores.
Segundo a PF, o texto teria sido redigido pela assessoria do Banco Master e “reproduzida de forma integral” pelo senador. Em mensagem obtida pela investigação, Vorcaro comemorou a publicação da proposta. “Saiu exatamente como mandei”, escreveu o dono do Master, de acordo com a apuração. A garantia do FGC era uma das estratégias usadas pelo banco para atrair investimentos em CDBs.
As festas promovidas por Vorcaro já haviam entrado no radar do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União. Em fevereiro, o órgão pediu abertura de investigação para identificar autoridades que participaram de eventos em Trancoso, no sul da Bahia, e verificar se houve uso de recursos públicos nas viagens.
Segundo a representação, os eventos chamados Cine Trancoso tinham controle rígido de acesso, proibição de celulares, detectores de metais e câmeras internas mantidas por Vorcaro sob justificativa de segurança.
Mensagens da dona de uma casa alugada pelo ex-banqueiro também foram reunidas pela PF. “O Vorcaro encheu a minha casa de putas. Ele, amigos e muitas putas! Desde antes de ontem, reclamações por causa do som acima do permitido. Ontem foi pior”, escreveu a empresária em 5 de outubro de 2022.
Em outra conversa, Vorcaro tratou do tema com a então noiva, Martha Graeff. “Fazia parte do meu ‘business’. Nunca te escondi o que fiz, e por que fiz. Fiz festa com 300 desse tipo”, escreveu em 18 de agosto de 2025.
A PF também investiga se Vorcaro atuou para alterar projetos em tramitação no Congresso. Em novembro de 2023, ele teria ordenado a retirada, na casa de Ciro, de envelopes com minutas de projetos de lei. Ciro nega qualquer pedido relacionado aos textos, e a defesa de Vorcaro afirmou que não iria comentar.
Fonte: DCM com informações do jornal O Globo
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