O encontro entre o presidente Lula (PT) e Donald Trump, marcado para quinta-feira (7) na Casa Branca, em Washington, aumenta o poder de barganha do Brasil diante da crise enfrentada pelos Estados Unidos, segundo avaliação do professor Leonardo Trevisan em entrevista ao UOL. A reunião deve tratar de segurança pública, terras raras, comércio, crime organizado e Venezuela.
Para Trevisan, a aproximação indica que Washington tenta recompor alianças em um momento de perda de influência global, agravado pela guerra no Irã e pela disputa com China e Europa por espaço na América Latina. Nesse cenário, o Brasil chega à mesa de negociação em uma posição diferente.
“Milagres acontecem. Porque, de alguma forma, quando os Estados Unidos perceberam o quanto eles estavam perdendo a América Latina para a Europa e para a China, eles resolveram se mexer. De algum modo, é um recado muito claro. Na prática, o Trump está querendo buscar aliados aonde for possível. Todos vão cobrar seu preço. Não há dúvida alguma. A Europa vai sentar com Trump para conversar de outro jeito, o Brasil também”, disse Trevisan.
O professor afirmou que a tentativa de aproximação pode estar ligada ao custo dos “erros de Trump” e à necessidade de ajustar o tom em diferentes frentes. Ele citou o Estreito de Hormuz, epicentro da tensão com o Irã, como exemplo desse reposicionamento.
“Se a gente olhar para isso, a gente percebe que o mundo está mudando e que Trump talvez tenha que repensar seu jeito. Aquilo que nós estávamos comentando, que ele mudou o tom para falar de como ele ia tentar salvar os 800 navios lá de Hormuz, vai ser mudar o tom para falar também sobre com o Brasil”, afirmou.

Na avaliação de Trevisan, a disputa com a China pesa no cálculo estadunidense e amplia a margem de negociação brasileira. O professor defendeu que o Brasil observe o que Pequim já ofereceu ao país e use esse contexto na conversa com Washington.
“Talvez a gente tenha que olhar bem amplo para tudo isso e olhar principalmente o que a China já ofereceu aqui para se aproximar do Brasil que os americanos estão sabendo. Não subestimemos esse fato. Não é diferente do contexto europeu”, disse Leonardo Trevisan.
Para ele, a reacomodação de interesses pode render benefícios ao Brasil, inclusive na área comercial. “Provavelmente aquele 25% de tarifa também vai recuar. É hora do Brasil tirar proveito dessa situação, sem dúvida nenhuma”, disse.
Lula deve viajar aos Estados Unidos na quarta-feira (6) e retornar ao Brasil na sexta-feira (8). A visita havia sido combinada em janeiro, durante conversa telefônica entre os dois presidentes, mas foi adiada por causa da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã. Lula já criticou a ofensiva estadunidense no Oriente Médio, tema que deve voltar à pauta da reunião.
Este será o terceiro encontro presencial entre Lula e Trump desde o início do segundo mandato do republicano. O primeiro ocorreu rapidamente nos bastidores da Assembleia Geral da ONU, em setembro. O segundo foi na Malásia, durante a 47ª Cúpula da Asean, em outubro.
Além das relações comerciais, os dois países devem discutir a possível classificação de facções brasileiras, como PCC e Comando Vermelho, como organizações terroristas pelos Estados Unidos, medida que autoridades brasileiras veem com preocupação por possíveis impactos à soberania nacional.
Também estão na pauta cooperação contra lavagem de dinheiro, tráfico de armas, troca de informações financeiras, minerais críticos e parcerias para exploração de recursos como lítio e cobre.
Fonte: DCM com informações do UOL
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